Aumenta o número de roubos de veículos e dos assaltos a residências e pedestres em Niterói depois das UPPs no Rio




A sensação de insegurança que virou queixa frequente entre moradores de Niterói depois da instalação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Rio é justificada por estatísticas.
Um levantamento que abrange os últimos dez anos, a partir de dados do Instituto de Segurança Pública, revela que a quantidade de crimes como assalto a pedestres e roubos de carros e a residências aumentou na cidade. A pesquisa leva em conta os cinco primeiros meses de cada ano dos períodos pré-UPP (2003 a 2008) e pós-UPP (2009 a 2013), já que os números oficiais mais recentes são referentes a maio. Os registros de ocorrências mostram, por exemplo, que nunca bandidos tomaram tantos veículos como em 2013: foram 528 casos, uma média de 105 a cada 30 dias.

Os casos de roubo a estabelecimentos comerciais saltaram de 511 para 550 (7,63%) no período pré e pós-UPP, respectivamente; os roubos a residências foram de 193 para 243 (25,91%); os de veículo, de 1.817 para 2.050 (12,82%); enquanto a pedestres subiram de 3.748 para 6.384 (70,33%). Já o 12º BPM (Niterói) perdeu 1.270 policiais nos últimos sete anos, segundo relatório do ex-comandante-geral da PM Wilton Soares Ribeiro, apresentado em abril no Conselho Comunitário de Segurança.
Por meio de nota, a Secretaria estadual de Segurança afirma que não tem informações que comprovem a migração de criminosos para outras localidades: “A migração pode haver, sim, mas não temos indicadores de que ela seja em grande escala nem que tenha impactado significativamente as manchas criminais”.
Para a professora do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Uerj Alba Zaluar, o crescimento populacional do município tem algum efeito sob os índices de criminalidade, mas a instalação de UPPs no Rio, a partir de dezembro de 2008, contribuiu para a migração de criminosos para outras regiões fluminenses:
— Houve um sufocamento, fazendo com que o indivíduo que antes apenas traficava se arriscasse em práticas mais perigosas, como roubos.
Na opinião da especialista, a política de instalações de UPPs deve se expandir para outros município além do Rio, pois o programa aproxima o cidadão do diálogo com polícia.
— Não é a solução de tudo, entretanto permite também um controle maior dos policiais com a ajuda da população — disse.
A Secretaria de Segurança afirma que Niterói está dentro do planejamento das UPPs, mas que, por razões estratégicas, não divulga o local nem a data da instalação. O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, diz que está disposto a arcar com os custos de uma UPP, caso o governo estadual não disponha de verba. O custo médio da implantação de uma UPP com cem policiais é de R$ 3,8 milhões por ano.
Enquanto isso, a escalada da violência continua.
A Polícia Militar informa que, em 3 de junho, o 12º BPM recebeu reforço de 200 policiais para atuar no patrulhamento da cidade, onde já existe o apoio de homens da Rede de Apoio à Segurança e do Programa Estadual de Integração na Segurança, bem como de outros cem do Batalhão do Choque.
Já a Secretaria estadual de Segurança informa que, desde a implantação, em 2009, do Sistema de Metas, a Aisp 12 (que inclui Niterói) teve uma redução de 48% na letalidade violenta (em 2009 foram 300 casos; e, em 2012, 154 casos), além de uma redução de 26% nos casos de roubo de rua (em 2009 foram 4.259 casos; e, em 2012, 3.128 casos registrados).