Pela metade, cai o reforço policial em Niterói

Empresário foi perseguido e morto recentemente após sacar dinheiro em banco no Fonseca. Foto: arquivo/ Débora Nunes

Iniciativa para trazer mais segurança à cidade durou cerca de um mês e meio e hoje restam apenas 368 policiais dos 680 anunciados para reforçar o patrulhamento
Durou pouco mais de um mês o reforço na segurança prometido para Niterói, anunciado no último dia 22 de maio pela cúpula de segurança do estado, após uma onda de violência que tomou conta da cidade. A promessa era que a cidade receberia 680 homens, sendo 100 agentes do Batalhão de Choque (BPChq), 200 PMs recém-formados que seriam incorporados ao 12º BPM (Niterói), 180 policiais através do Regime Adicional de Serviço (RAS) e 200 do Programa Estadual de Integração na Segurança (Proeis). Após exatos 42 dias, restaram apenas 368 policiais, ou seja, 54,12% do anunciado.

Segundo a própria polícia, os 100 policiais do BPChq foram transferidos de volta ao Rio devido às últimas manifestações. Programas como o RAS e Proeis, que deviam mobilizar 380 homens para trabalhar nas horas de folga em Niterói não conseguiram captar mais do que 168, sendo 108 para o primeiro e 60 para o segundo programa.
Os 200 recrutas recém-formados continuam no Batalhão de Niterói, porém, lideranças comunitárias da cidade temem que após ganharem experiência nas ruas sejam enviados para o patrulhamento de ruas do Rio ou integrados a Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) da capital.
Em meio à redução do efetivo policial da cidade, crimes de repercussão voltaram a atormentar os moradores de Niterói. Na última quarta-feira, um tiroteio na esquina das ruas Cinco de Julho e João Pessoa, no Jardim Icaraí, levou pânico aos moradores do bairro, quando dois bandidos fizeram disparos de pistola e fuzil contra um carro de luxo parado na esquina. O ataque só não deixou vítimas porque o veículo, um BMW, era blindado.
Ainda na semana passada uma mulher foi assassinada por bandidos que fecharam a Avenida do Contorno, no Barreto, para assaltar motoristas. Nem um policial federal escapou da ação de criminosos na cidade. Ele foi rendido na porta de casa em Piratininga e teve a sua residência roubada.
Dias antes, o empresário Willians de Vargas Rodrigues, de 35, foi perseguido e morto após sacar R$ 13,5 mil da agência do Bradesco na Alameda São Boaventura, no Fonseca. Em outro caso em plena luz do dia, homens armados tentaram roubar uma caminhonete S-10 nas esquinas das ruas Mariz e Barros e João Pessoa, em Icaraí. Seguranças particulares reagiram e o tiroteio deixou em pânico moradores.
Os bandidos acabaram perdendo a direção do veículo roubado, que colidiu contra um ônibus e um poste, mas conseguiram fugir. Como se não bastasse, duas viaturas do Desipe que transportavam presos foram atacadas por criminosos armados com fuzil, uma na Av. João Brasil, na Engenhoca, e outra na divisa com São Gonçalo. Num dos ataques um agente penitenciário foi morto.
“O sentimento é de impotência. Estamos cansados de reuniões. As autoridades vêm aqui, falam, prometem, e não resolvem nada. Isso é imoral, a cidade está abandonada”, declarou o empresário Oscar Motta, líder comunitário de São Francisco.
Para o presidente do Conselho Comunitário de Segurança de Niterói, Leandro Santiago, “a falta de policiamento é uma gota d’água num oceano de problemas estruturais”. “Niterói precisa passar a ser tratada com respeito. O coronel Erir Ribeiro [comandante-geral da PM] está convidado a comparecer à reunião do conselho para dar explicações sobre estes números. Mas temos outras demandas que também estão só na promessa. A Polícia Civil também tem seu efetivo reduzido. O IML de Niterói está fechado há anos e falta também parceria com a Polícia Rodoviária Federal (PRF) para combater criminosos que utilizam a Ponte Rio-Niterói para migrar para a cidade”.
Responsável pelo 4º Comando de Policiamento de Área (CPA), que reúne os batalhões da região, o coronel Wolney Dias garante que a retirada dos agentes do BPChq não é definitiva. “Houve a necessidade de atender outras demandas. O BPChoque foi deslocado para dar apoio durante as manifestações, o que não significa que deixou a cidade. Assim que estes eventos cessarem, Niterói terá novamente este apoio”.

Policiamento                  Anunciado em julho                      Hoje nas ruas
- Batalhão de Choque              100                                              0
- Recrutas                                200                                              200
- Proeis                                    200                                              60
- RAS                                        180                                             108  
- Total                                      680                                              368

Por: Ruy Machado     Fonte: O Fluminense