Linha 3: primeira etapa deve começar em dezembro

Estação do Barreto prevê a recuperação da antiga estação ferroviária. Foto: Divulgação

Presidente Dilma Rousseff é esperada na próxima quarta-feira, no Palácio Guanabara, quando vai liberar os R$ 2,7 bilhões para o projeto

A próxima quarta-feira será decisiva para o primeiro passo da implantação da Linha 3 do Metrô. De acordo com o último anúncio do vice-governador Luiz Fernando Pezão, a presidente Dilma Rousseff é esperada no Palácio Guanabara, onde fará a liberação de R$ 2,7 bilhões para o projeto. O valor será usado para implantação do projeto onde engloba a construção do terminal intermodal (estação Arariboia projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer) e revitalização de um trecho de 22 quilômetros – 17,7 quilômetros em viadutos e 4,3 quilômetros em superfície. A primeira etapa da obra deve começar até dezembro deste ano, quando serão realizados os estudos topográficos. Além disso, a implantação da Linha 3 garantirá o deslocamento intermunicipal da população dos municípios abrangidos, o que gira ao entorno de 1,7 milhão de habitantes.
 
Hoje, o deslocamento entre as cidades de Niterói e São Gonçalo é realizado por ônibus intermunicipais. O tempo médio das viagens varia conforme as condições do trânsito, podendo chegar à uma hora ou mais. Com o metrô, a expectativa é que o percurso seja realizado em até 30 minutos, metade do tempo atual. O trajeto que antes era utilizado para transporte de passageiros através do trem está desativado desde 2006 e fazia ligação de Itaboraí a Niterói. Estão previstas 14 estações no projeto. O itinerário que começa na estação Arariboia fará composição com o Caminho Niemeyer, unindo as obras necessárias para infraestrutura da região. Essa estação ficará ao lado de onde hoje fica o terminal das Barcas de Niterói. Para tanto, será construído um terminal intermodal, integrando os sistemas de metrô, barcas e ônibus municipais e intermunicipais, atendendo aproximadamente 600 mil passageiros/dia, sendo considerado a maior integração intermodal do país e a primeira a incluir um terminal aquaviário.
De acordo com o governo do Estado, calcula-se que 70% dos usuários da Linha 3 terão como destino a cidade do Rio de Janeiro, utilizando a Estação Arariboia, a maior estação do sistema (cerca de 24 mil metros quadrados), como estação terminal e de integração.
Além disso, o projeto contempla um estacionamento e garagem para pequenos atendimentos e reparos no Barreto.  A estação do Barreto será revitalizada e terá a recuperação da antiga estação ferroviária, atualmente desativada. Outras estações que terão capacidade de agrupar mais passageiros são: Vila Lage, onde a previsão do projeto é estruturar o transporte de massa na região e Praça do Zé Garoto, onde haverá dois acessos, para atender ao grande fluxo de passageiros. As outras estações que compõem o percurso do metrô são: Araribóia, Jansem de Melo, Barreto, Neves, Vila Lage, Paraíso, Zé Garoto, Mauá, Antonina, Trindade, Alcântara, Jardim Catarina e Guaxindiba. Destas, 13 estações serão suspensas e apenas a estação de Guaxindiba será no nível do solo.
Comperj – A outra estação terminal é Guaxindiba, localizada próximo à BR-101, que permitirá a integração intermodal com os municípios de Itaboraí, Tanguá, Rio Bonito e Magé, garantindo o deslocamento até Niterói e Rio de Janeiro.
Há uma expectativa de ampliar o sistema até Itambi, em Itaboraí, para atender aos funcionários do Comperj, e Visconde de Itaboraí. Entretanto, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e Mobiliário (Sinticom), Manoel Vaz, lembra que a estação precisa ir mais além para atender aos trabalhadores. “Precisa chegar até Porto das Caixas, não só até Guaxindiba. A região é muito carente de transporte”, acredita. 
O projeto de revitalização da estação Barreto prevê a recuperação da antiga estação ferroviária, atualmente desativada. Já a estação Vila Lage, a primeira de São Gonçalo, ajudará a estruturar o transporte de massa na região. Aquela área hoje é servida apenas por ruas, que acabam com grandes engarrafamentos, prejudicando a economia local e o meio ambiente. Na Praça  Zé Garoto, no Centro de São Gonçalo, haverá dois acessos, para atender ao grande fluxo de passageiros na região. A expectativa é reduzir o tempo de deslocamento entre as duas pontas da linha de duas horas para 40 minutos, garantindo um transporte limpo e seguro.
Desapropriações – O abandono de mais de seis anos da linha férrea ocasionou o surgimento de muitas casas que seriam fruto de invasão do leito por posseiros, o aparecimento de verdadeiros lixões e a retirada de trilhos do percurso original. Em alguns trechos do antigo trem também surgiram lixões. De acordo com o governo do Estado, detalhes sobre este assunto serão divulgados na próxima quarta-feira.


Por: Ruy Machado     O Fluminense