Planos refeitos e desfeitos

Planos refeitos e desfeitos

O projeto do Polo de Moda e Gastronomia de Niterói pode nem sair do papel. A informação foi obtida diretamente com a Secretaria estadual de Obras (Seobras). Segundo a assessoria do órgão ainda não existe um novo projeto e o anterior, que chegou a ser iniciado, foi totalmente descartado. O prédio do futuro Polo Gastronômico fica em um imóvel localizado na Avenida Feliciano Sodré - entre a Rua Presidente Castelo Branco e Avenida Washington Luiz - e a sua reforma estrutural e de adaptação estava orçada em R$ 7 milhões, em janeiro do ano passado, quando as obras de reforma do prédio foram iniciadas. O projeto anterior do Polo foi inspirado nos grandes mercados internacionais.
Segundo a Seobras, o Polo está sob analise do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), para verificar a possibilidade de o projeto ser incluído no Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur), do Ministério do Turismo. “Estamos buscando através do BID capitalizar recursos para que o Polo Gastronômico e de Moda de Niterói possa ser construído. O projeto é outro, totalmente diferente, aquele orçado em R$ 7 milhões não existe mais. Será feito um novo projeto e a Secretaria de Obras só voltará a se pronunciar após a aprovação do crédito pelo banco e somente com essa verba poderemos incluí-lo no Prodetur”, diz a nota.
A reforma do prédio sempre foi motivo de polêmica. Inicialmente seria feita através de uma parceria entre os governos municipal e estadual. Em setembro do ano passado, após meses de obras paralisadas, houve o anúncio de que a reforma e adaptação do prédio seria feita a partir do mês de outubro daquele mesmo ano, com conclusão em dezembro.
Só que o local, entregue às moscas, serve de moradia para mendigos e como esconderijo de assaltantes, que vêm tirando o sono das pessoas que passam pelo local. “Eu acompanhei isso aqui de camarote. Eles começaram em janeiro, em fevereiro já não tinha mais gente trabalhando direito no local até ficar vazio. Os moradores de rua começaram a saquear a obra, todos os dias eu via gente saindo com carrinhos de construção cheio de sacos de cimento. Os mendigos moravam ali dentro, usavam drogas, uma verdadeira cracolândia. Quem passasse pela Feliciano Sodré no fim da tarde ou durante o dia em qualquer horário era assaltado e os bandidos se escondiam dentro desse galpão. Depois eles vieram aqui e fecharam as portas que estavam abertas com tijolos. Mais uma obra do Governo do Estado que a gente vê largada. Muito triste isso, é dinheiro público, dinheiro dos cidadãos”, denuncia o gari Jerônimo Medeiros.
De acordo com Aldeir de Carvalho, presidente do Sindicato de Confecções do Leste Fluminense, o polo será fundamental para dar visibilidade à cidade e contribuirá para a formação de novos profissionais. O setor gera 12 mil empregos diretos e 30 mil indiretos. Em Niterói e São Gonçalo, o cenário se mantém estável, porém em 2012 o crescimento no volume de negócios gerados ficou entre 10% e 15%. Com o polo esses números cresceriam ainda mais. “No aspecto da moda, a indústria de confecção é hoje a terceira maior empregadora do país, atrás apenas da construção civil e agricultura. Em Niterói há um calendário de atividades que agora ganhará mais fôlego”, avalia Aldeir.
A região, de acordo com dados da Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan), é integrada por cerca de 500 estabelecimentos industriais, ou seja, 11% das companhias de moda de todo o território fluminense. Niterói e São Gonçalo têm juntos 800 empresas de confecções, com 20% da mão de obra indireta de bordadeiras e cooperativas, entre outras.