Contenção no Morro do Holofote

Sônia Pereira Fortes, que mora embaixo do local onde está ocorrendo a obra, teme que a rua de cima também caia. Foto: Lucas Benevides

Orçadas em R$ 868 mil, obras devem ser concluídas em seis meses. Moradores estão preocupados com novos deslizamentos. Vice-prefeito informa que obras estão pré-estabelecidas

Reivindicação antiga dos moradores do Morro do Holofote, no Barreto, a obra de contenção da encosta, onde ocorreu o deslizamento em 2010, foi iniciada na última segunda-feira. A intervenção, orçada em aproximadamente R$ 868 mil, tem prazo de conclusão de seis meses, sendo executada pela empresa Sociedade de Obras e Projetos de Engenharia Ltda (Sope).
A contenção será feita em dois pontos da localidade, conforme identificação da situação da encosta. Uma área receberá uma cortina atarantada, de aproximadamente 35 metros de extensão por 6 metros de altura, em função da instabilidade do terreno, onde há maior possibilidade de deslocamento de massa, com guarda-corpo, calçada e canaleta, que direcionará a água para a rede de drenagem existente. Na outra será feito uso de solo grampeado com o planejamento de uma escada hidráulica.
Segundo o vice-prefeito, Axel Grael, as obras estão seguindo uma agenda pré-estabelecida, conforme a identificação dos locais como áreas prioritárias de risco e a definição de investimento em 14 frentes de trabalho nos morros do Holofote e Bonfim e nos bairros Fonseca e Caramujo. As intervenções estão sendo realizadas com recursos destinados pelo Governo Federal, que disponibilizou cerca de R$ 24 milhões para obras de contenção de encostas no município, através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC II).
“Nós já entregamos algumas obras realizadas com os recursos conquistados em Brasília e agora iniciamos a contenção no Morro do Holofote”, diz Axel Grael, que explicou que o cronograma da obra está determinado em quatro meses, sendo o contrato de finalização estabelecido em seis.
Para a moradora Maria Aparecida Lima, que teve a casa interditada após a tragédia, contudo, sem receber o aluguel social, continua morando no local, onde vive há 20 anos, a obra trará mais tranquilidade para todos do Morro do Holofote. 
“Minha casa está cheia de rachaduras. Tenho muito medo quando venta ou chove e rezo pedindo que não aconteça nenhuma tragédia”
Preocupação – Sônia Pereira Fortes, que mora embaixo do local onde está ocorrendo a obra, diz que a intervenção garantirá a segurança da rua que fica acima de onde aconteceu o deslizamento, que segundo ela, está oca, tendo cedido grande parte da terra que dá suporte a pavimentação. 
“A rua de cima vai cair também, está toda oca. Estou rezando para acabarem essa obra logo, para ter tranquilidade. A Prefeitura pediu para que saisse da minha casa, mas vou para onde? Não tenho onde morar. Esse barranco deslizou um dia antes do Morro do Bumba. Perdi tudo que tinha, porque a lama e a água entraram pela porta da minha cozinha”.
Projeto – De acordo com a Empresa Municipal de Moradia, Urbanização e Saneamento (Emusa), responsável pela contratação da obra, durante as intervenções serão feitos também o desmonte do muro de contenção de terras parcialmente destruído durante o deslizamento, a reconstrução da escada de acesso ao local e o remanejamento das tubulações de água. Além disso, será feita a drenagem de alguns pontos que estão com suas caixas assoreadas.
Ainda de acordo com a Emusa, como a principal via de acesso à localidade é a Rua do Buraco Quente, que tem início na Rua do Holofote, com base em cálculos efetuados, foi projetada uma canalização de seção retangular para captar as águas das chuvas que percorrem pela Rua do Holofote e conduzi-las através de uma escada hidráulica até a Rua Buraco Quente. 

Por: Paula Valviesse e Igor Mello O Fluminense