Rio Bomba a ponto de explodir na Sá Pinto


Moradores do bairro em Niterói reclamam da falta de limpeza do rio, que pode alagar com as próximas chuvas e inundar casas, devido excesso de detritos e poluição

Os moradores da Rua Sá Pinto e da Avenida Otaviano, no Barreto, reclamam que parte do trecho do Rio Bomba, que nasce no Morro do Castro e deságua na Baía de Guanabara, está assoreado. Ao percorrer a localidade é possível flagrar diversos pontos de acúmulo de lixo, entulho e detritos, além da própria vegetação que já interfere no fluxo normal do córrego.  
De acordo com os moradores, por se tratar de uma área localizada exatamente na divisa entre os municípios de São Gonçalo e Niterói, nenhuma das prefeituras têm se mobilizado para solucionar o problema. O Estado também não se manifesta. O resultado do descaso vem com a concentração de ratos, mosquitos e insetos, comprometendo a saúde dos cidadãos.
De acordo com Jair da Silva Medeiros , morador da Rua Sá Pinto, de 60 anos, o local está abandonado há anos. Nenhuma das prefeituras realiza as obras necessárias para que o rio possa fluir. 
“As prefeituras de Niterói e São Gonçalo ficam nesse jogo de empurra, mas se esquecem que aqui todos os moradores pagam seus impostos às devidas prefeituras. Quando metem o ‘pé aqui’ só querem fazer obra paliativa”, desabafa o morador.
Ainda de acordo com Jair, o Rio Bomba, devido ao entulho em seu curso, está 1,5 metro acima do nível normal. O temor é de que com as próximas chuvas, as ruas e as casas da região sejam inundadas. 
“Recentemente um morador faleceu com suspeitas de leptospirose. Com essas obstruções no rio, o mau cheiro toma conta de todas as casas e os ratos estão saindo de lá e percorrendo as residências próximas. Já no final da tarde, é tanto mosquito que temos que fechar as janelas antes do anoitecer”, explica.
Na Avenida Otaviano, o muro de uma residência desabou e contribuiu ainda mais para a obstrução do rio. Em outro ponto, de travessia do Rio Bomba, não há qualquer grade que proteja os moradores de uma possível queda. Mato e entulhos impedem, inclusive, a visibilidade do local. 
Com receio de que o pior aconteça com as próximas chuvas, a moradora Maria Leda Pestana, de 79 anos, informa que tem gastado parte de sua aposentadoria com a limpeza do trecho do córrego próximo a sua residência. 
“De tempos em tempos, eu pago cerca de R$ 300 para realizarem um trabalho que a Prefeitura teria a obrigação de fazer. É uma atitude desumana com as pessoas de bem”, critica a aposentada em tom de desabafo.
Inconformados, cerca de 20 moradores se reuniram no local recentemente para realizar um ato de protesto e cobrar providências, porém nenhum representante da Prefeitura compareceu. De acordo com os moradores, caso nada seja feito, uma manifestação será marcada nos próximos dias.
Procurada, a assessoria de comunicação da Prefeitura de Niterói informou, através de nota, que a limpeza de toda a extensão do Rio Bomba foi realizada no final do ano passado, através da Secretaria de Conservação e Serviços Públicos, durante dois meses. 
Ainda de acordo com a assessoria, o rio já está na programação para nova limpeza.
“É importante ressaltar a consciência de cada cidadão para que não jogue lixo nos rios e canais da cidade, já que a equipe retira diversos objetos durante a limpeza, como garrafas pets, sapatos, sacos plásticos e até mesmo móveis”, finaliza. 
Já a assessoria de Comunicação da Prefeitura de São Gonçalo diz que a atribuição da limpeza é do Instituto Estadual do Meio Ambiente (Inea). O órgão estadual, por sua vez, não se pronunciou até o fechamento desta edição. 

Por: Chailon Conceição O FLUMINENSE