EM 10 ANOS, FAVELAS CRESCEM 200% EM NITERÓI

EM 10 ANOS, FAVELAS CRESCEM 200% EM NITERÓI

No dia 7 de abril desse ano foram lançadas oficialmente em Niterói as obras de construção de três conjuntos habitacionais no bairro do Caramujo, zona norte da cidade. O empreendimento, em terreno de cerca de 40 mil metros quadrados, beneficiará 600 famílias com renda de até R$ 1.600. Os desabrigados das chuvas de abril de 2010 – estimados em cerca de 3 mil famílias - terão prioridade, embora estejam há quatro anos pelejando por uma moradia. A obra, financiada pelo Ministério das Cidades, através da Caixa Econômica Federal (CEF), está orçada em R$ 45 milhões.
Também no mês de abril foram iniciadas obras de construção de outros três conjuntos habitacionais no Baldeador, voltados para 500 famílias, e orçadas em mais R$ 37 milhões pela CEF. Além do desafio de realocar essas famílias, Niterói terá nos anos seguintes a abertura dos horizontes de um outro obstáculo ainda maior, esse considerado até “histórico”.
De acordo com uma reveladora pesquisa desenvolvida pela Prefeitura de Niterói e a Lates Consultoria (em outubro de 2011) – divulgada pela Universidade Federal Fluminense – UFF, no ano passado - os dados socioeconômicos apontam Niterói numa situação de “contrastes”. Segundo o Censo do IBGE de 2010, a renda média domiciliar de R$ 2.031,18 colocou a cidade como a de maior renda familiar do país (per capita) superior a cinco salários mínimos (23,44%). No entanto, o Programa Minha Casa, Minha Vida cadastrou em Niterói 20.698 famílias com renda familiar mensal menor que três salários mínimos (dados de 2011). O senso do IBGE (2010) informou que Niterói possuía uma população de 487.562 habitantes, residentes em 191.172 domicílios, e a cidade possui uma área 129.375 quilômetros quadrados.
Esse índice representa 62.094 pessoas nesta situação (14% da população), sem levarmos em consideração uma família com pelo menos três membros. Ainda segundo levantamento da UFF, a cidade tinha em 2009 – de acordo com o Núcleo de Regulamentação Fundiária – Nurf, da Secretaria Municipal de Urbanismo e Controle Urbano – 130 favelas. Um salto, segundo IBGE, já que em 2000 eram 43. Os números do Nurf apontaram 20% (cerca de 95 mil pessoas) da população moram em favelas. Para a Consultoria Lates haviam 166 “comunidades” há pouco mais de dois anos. Para o IBGE, comunidades seriam “aglomerados subnormais”.
A maior parte desses domicílios estão situados na Zona Norte (45%), totalizando 4.561.804 metros quadrados. A diferença desses dados são 11% da cidade urbanizada (cerca 14 quilômetros quadrados de um total de 129), com base em dados do Embrapa (2000). Das 20.968 famílias consideradas mais pobres de Niterói, 14% estão no Fonseca, 6% em Santa Rosa, e 5% no Caramujo. Ainda das famílias consideradas mais pobres, 40% eram chefiadas por mulheres (8.210 famílias). Na pesquisa, entre as comunidades mais carentes, o Morro do Preventório, em Charitas, aparecia com 4.870 habitantes, em 2009, e Vila Ipiranga, com 3.813 habitantes (dados do Nurf).


Por Augusto Aguiar    A tribunaRJ