Violência assusta moradores do Fonseca

Na Rua Lopes da Cunha e na Avenida Vinte e Dois de Novembro, considerada uma das principais vias do bairro, os crimes têm sido constantes, denunciam os moradores do bairro.Foto:  Maurício Gil

Com medo de serem assaltados, alguns comerciantes na Avenida Vinte e Dois de Novembro, no Fonseca, passaram a fechar estabelecimentos mais cedo

Os constantes casos de violência no Fonseca, Zona Norte de Niterói, vêm gerando prejuízo para comerciantes do bairro. Na Avenida 22 de Novembro, que liga os bairros Fonseca e Cubango e é uma das mais movimentadas do bairro, os comércios estão fechando mais cedo devido aos assaltos. Os estabelecimentos, que antes encerravam o expediente às 20h, atualmente são fechados duas horas antes. Para se ter uma ideia da situação, na Rua Lopes da Cunha, a apenas um quarteirão, em apenas uma noite 10 pessoas foram assaltadas, na noite do último dia 16. 
Uma comerciante diz que já presenciou diversos assaltos na esquina da 22 de Novembro com a Alameda São Boaventura. Segundo ela, na última segunda-feira, um assalto aconteceu antes do anoitecer e deixou os pedestres que passavam pelo local em pânico.
“Alguns bandidos abordaram uma mulher e tiraram ela de dentro do carro. Todo mundo que passava pela rua ficou assustado, porque jamais iríamos imaginar que alguém seria assaltado naquela via e perto de 5 horas da tarde. Meu comércio é um dos que estão fechando mais cedo”, desabafa, lamentando prejuízos financeiros causados pela medida.
Outro comerciante que também passou a fechar o estabelecimento mais cedo argumenta que não havia alternativa, apesar de perder algumas vendas. “Alguns clientes passaram a vir durante o dia para comprar comigo, mas outros clientes deixaram mesmo de comprar porque não podem passar em outro horário”, conta.  
E não são apenas comerciantes que reclamam da violência. Quem reside na região também diz ter medo de andar pelas ruas. 
“A cada dia ficamos cada vez mais vulneráveis a esse tipo de situação, daqui a pouco nós nem poderemos mais sair de casa”, desabafa uma moradora da Rua Constantino Pereira, próxima da 22 de Novembro. 
Outro morador conta que também já presenciou crimes: “No último dia 21, uma moça foi assaltada na esquina do condomínio por um casal de moto. Eu que a levei na delegacia. Todos os dias têm assalto ali”, reclama.
Arrastão - No último dia 16, por volta das 19h30, um carro com pelo menos cinco homens armados com pistolas e fuzis parou na Rua Lopes da Cunha, que fica próximo da Avenida 22 de Novembro. O bando desceu do veículo e assaltou moradores que estavam na rua, além de pedestres que passavam pelo local. A câmera de segurança de uma residência flagrou a ação.
De acordo com a Polícia Civil, a Rua Lopes da Cunha e as outras vias transversais funcionam como uma rota de fuga para os bandidos, justamente pela proximidade da Alameda São Boaventura e Avenida 22 de Novembro, sendo inclusive uma das localidades com maior incidência criminal da área.
Além disso, agentes da 78ª DP (Fonseca) já estão em posse das imagens da câmera de segurança que flagrou a ação dos criminosos naquela via e dois dos cinco bandidos foram presos no último domingo na Alameda São Boaventura. As imagens continuarão sendo analisadas para que os outros criminosos sejam identificados. 
O comandante Gilson Chagas, do 12º BPM (Niterói), afirmou que o patrulhamento é feito ostensivamente nas vias principais e adjacentes. Apesar de garantir ter reduzido o índice criminal em relação ao mesmo período do mês anterior, ele reconhece que assaltos continuam acontecendo.
“Apesar de termos comunidades próximas com a presença de criminosos, verificamos que os presos naquela localidade são de outras comunidades da cidade, inclusive São Gonçalo. Continuaremos agindo e trabalhando para que o problema seja resolvido”, prometeu o comandante.

 Por Vinicios Rodrigues         O FLUMINENSE