Temporal derruba casa na Engenhoca


TEMPORAL DERRUBA CASA NA ENGENHOCA

Três horas de temporal na madrugada e foram suficientes para alagar ruas em Niterói e São Gonçalo, dar um nó no trânsito e até destruir parcialmente uma casa.
Santa Rosa e Icaraí, na Zona Sul, Badu, em Pendotiba e Engenhoca, na Zona Norte, foram os bairros mais afetados. Neste último um deslizamento de terra na Travessa José Agra destruiu uma residência. Um dos moradores, identificado apenas como Edilson pelos vizinhos, ficou levemente ferido e não precisou ser encaminhado para o hospital. Ele está hospedado na casa de uma tia. A vítima foi socorrida por dois vizinhos que, ao ouvirem um grande estrondo, abriram a porta e ouviram gritos de socorro. Edilson foi retirado dos escombros sem grandes ferimentos. O terreno onde a casa desabou é situado numa encosta com muito lixo e umidade. As casas interditadas pela Defesa Civil também apresentaram condições de risco de desabamento. 
Para evitar novos desmoronamentos, a Defesa Civil foi acionada e interditou três casas, incluindo a de Edilson. Lauro Allan de Oliveira, 29 anos, é dono de umas das casas interditadas. Ele afirmou que terá que se abrigar na casa de familiares.
“Eu ouvi um barulho muito alto e abri a porta. Ouvi o meu vizinho chamando meu nome e corri para ajudar e o vi embaixo do entulho. Agora eu vou para a casa da minha mãe e depois procurar uma casa para alugar. Infelizmente perdi minha casa”, disse.
O aposentado Darci dos Santos também teve sua residência bloqueada pela Defesa Civil. Ele ainda não sabe onde vai ficar, mas pretende ir para a casa de uma filha.
“Eu não tenho muitos lugares para ir, mas devo ir para a casa da minha filha”, disse.
O professor da UFF, Elson Nascimento, que recentemente participou de um estudo que correlacionou a quantidade de chuva e deslizamentos, comentou o acontecimento.
“Nesse trabalho visualizamos que 40 milímetros seriam necessários para acontecer deslizamentos de terra. Mas 22 milímetros já causaram deslizamentos. Esse índice de 44 milímetros só confirma que a cidade precisa se mobilizar, incluindo a Defesa Civil e a comunidade. A gente de fato já que tem que começar a trabalhar nesses parâmetros”, disse.
Segundo a Defesa Civil, entre as 5h e 6h, as regiões com maior incidência foram os morros do Estado (Centro) e Preventório (Charitas) e Jurujuba, que apresentaram um índice de até 44 milímetros nesta uma hora e 90 milímetros no acumulado ao longo do dia. Além da casa que desabou na Engenhoca, dois muros caíram na Travessa Jaílton Faustino, no Badu, e na Rua Maricá, em Santa Rosa, mas não houve vítimas. As áreas serão interditadas. De acordo com a Secretaria de Conservação e Serviços Públicos (Seconser), por volta das 7h30min já não havia mais registro de bolsões d’água na cidade. Equipes da secretaria continuam nas ruas desobstruindo canais e realizando a limpeza de ralos e pede e que a população fique atenta às informações da Defesa Civil.
O órgão encontra-se em estado de atenção em razão do volume acumulado de chuva em algumas regiões e por ainda haver previsão de chuva.
ALAGAMENTOS
A chuva causou alagamentos em diversos pontos de Niterói, São Gonçalo e Maricá. Ruas como Almirante Ary Parreiras, General Castrioto, Cinco de Julho, Presidente Backer, Moreira César, Lemos Cunha e Avenida Roberto Silveira ficaram inundadas. O rio que corta a Ary Parreiras transbordou e deixou carros literalmente boiando nas vias de Icaraí. 
Além dos alagamentos, a chuva também causou engarrafamento nas principais vias de Niterói, como Alameda São Boaventura. A BR-101 também registrou pontos de congestionamentos do km 308 ao 321, entre as regiões de São Gonçalo e Avenida do Contorno. Houve engarrafamento também na Ponte Rio-Niterói, mas nada anormal. Não houve registro de acidentes. As barcas precisaram reduzir a velocidade por conta da visualização e operou através de instrumentos. Isso ocasionou em filas nas estações Arariboia e Charitas.

Por Aline Balbino      AtribunaRj