Cerveja quadrada em Niterói

CERVEJA QUADRADA EM NITERÓI


Tomar um chopp ou uma cerveja depois do expediente do trabalho ficou mais caro. A diferença pode chegar aos 23% em estabelecimentos comerciais que vendem a bebida da zona sul a zona norte da cidade. Apesar dos consumidores acharem o preço cada vez mais alto, os fabricantes da bebida afirmaram ter passado dificuldades em 2014. Os dados foram divulgados pela Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil).
Em nota a CervBrasil informou que o setor cervejeiro encerrou o ano de 2014 registrando crescimento de produção de 5,1%, de acordo com dados prévios da Receita Federal (Sicobe), em um ano impulsionado pelas altas temperaturas, pelo Carnaval realizado em março, e pela realização da Copa do Mundo no Brasil. A prévia do Sicobe aponta que o mês de dezembro apresentou crescimento de produção de 2,6% comparado a novembro e de 2,2% com relação ao mesmo período de 2013. Os comparativos trimestrais indicam que o quarto trimestre teve crescimento de 2,2% comparado ao terceiro trimestre e de 0,8% se comparado ao mesmo período de 2013.
Pensando nesses preços abusivos um grupo de amigos montou uma página na rede social Facebook ‘Rio Estratosférico’ para boicotar os comércios que cobram preços muito mais altos na venda das bebidas. A iniciativa já reuniu mais de 400 pessoas e em Niterói também já existem adeptos ao movimento. O músico Pablo Francisco, 40 anos, morador do centro de Niterói, acha qualquer manifestação em prol do consumidor válida. “Acho que devemos nos unir para conseguir deixar os preços mais justos. Em São Gonçalo, menos de 30 minutos de distância de Niterói, a cerveja chega a ser metade do preço. Considero mais que um abuso, acho um roubo”, comentou.
No Caneco Gelado do Mario, no Centro de Niterói, a garrafa de cerveja custa R$ 8,50 e no Vestibular do Chop, em São Domingos, a mesma marca custa R$ 8,99. Porém quem acha que a Zona Sul de Niterói esse preço iria extrapolar, se engana, no Big Point, em Icaraí a garrafa da bebida custa R$ 7,95, ou seja, cerca de 13% mais barata que no Centro. Já em São Francisco o valor também é alto, no Velho Armazém a bebida sai por R$ 8,90. Já em relação ao chopp em São Francisco a relação custo benefício é o mais barato e custa R$ 5,40 de 300 ml. Já na Zona Sul a bebida custa R$ 5,80 e em São Domingos a diferença é de R$ 1,29, ou seja, R$ 6,69, um aumento de cerca de 23%.
Para a publicitária Isabel Mota, 28 anos, procurar o melhor preço é a melhor saída para conseguir sair com os amigos em um final de semana. “Temos que procurar o melhor preço nos bares e restaurantes assim como fazemos com uma roupa. É muito ruim ficar controlando o que comer e o que beber, por isso eu procuro o menor preço”, explicou. Para o gerente do Big Point, Ivan da Silva, a venda de cerveja em garrafa é maior no estabelecimento em relação ao chopp. “Vendemos cerca de 360 garrafas em um final de semana e 50 litros de chopp. A escolha se dá pela quantidade da garrafa que é maior do que a tulipa”, explicou. Já para Francisco Chagas, gerente do Vestibular, o chopp é a maior saída no estabelecimento. “Temos o aperitivo barato e isso aumenta o consumo da bebida”, ressaltou.

Isoporzinho
A ideia remete ao movimento que reuniu milhares de pessoas em fevereiro de 2014 conhecido como isoporzinho. Na ação amigos se juntavam para conversar e beber em frente aos estabelecimentos comerciais que tinham os preços mais altos. Até aí nenhuma novidade, a não ser o isopor com gelo e cervejas que levavam de casa. “Enquanto um bar cobrava R$ 5 em uma lata de cerveja, comprávamos por R$ 2 no mercado, fazíamos gelo em casa e saíamos”, comentou Isabel.

Por Raquel Morais   AtribunaRj