No terceiro BI, guerra à vista !

BATALHA À VISTA NO 3º BIA decisão do Governo do Estado em utilizar o espaço onde funcionava o 3º Batalhão de Infantaria (BI) do Exército, na Rua Dr. Porciúncula 395, em Venda da Cruz, São Gonçalo, para a construção de um conjunto habitacional segue sendo motivo de preocupação para moradores da região.
Sob o argumento de que a iniciativa iria trazer problemas como favelização e impactos ambientais, jornalistas, engenheiros e líderes comunitários do município irão realizar uma reunião hoje, às 15 horas, para discutir ideias e formalizar um pedido de transformação da antiga unidade militar em um centro cultural.
Segundo o jornalista Pereira da Silva, um dos organizadores do encontro, o objetivo é alertar o poder público sobre o impacto negativo que a construção do complexo habitacional, dentro de uma área de 145 mil metros quadrados, traria para a região, como aumento da criminalidade, desordem urbana, além de prejuízos para meio ambiente.
“Todo aquele conjunto arquitetônico tem uma importância histórica para São Gonçalo. Para quem não sabe, o 3º BI foi uma unidade ativa durante a 2ª Guerra Mundial, então transformar aquilo em uma conjunto habitacional só vai trazer problemas para a região, como favelização, além de trazer mais traficantes e usuários de drogas, que já invadiram a área. Além disso, embaixo do 3º BI passa um lençol freático e construir o conjunto ali significa mais esgoto e dejetos direto na Baía de Guanabara. Algo precisa ser feito”, justificou o jornalista.
Após o encontro, onde serão apresentados laudos técnicos de engenheiros sobre os prédios do 3º BI, um relatório será elaborado e encaminhado para o Ministério Público Estadual, Governo do Estado, Prefeitura de São Gonçalo e à Câmara Municipal, a fim de conseguir o apoio necessário para revogar a obra.
“Há outras regiões de São Gonçalo, como Rio do Ouro e Guaxindiba, que poderiam receber esse conjunto, mas eles alegam que não há a infraestrutura necessária”, concluiu o jornalista.
O projeto do Governo do Estado prevê a construção de 62 blocos de unidades habitacionais destinadas a famílias vítimas de enchentes ou que vivem em áreas de risco de Niterói e São Gonçalo, a exemplo dos moradores do Morro do Bumba, que ocuparam as instalações entre 2010 e 2014. Os apartamentos terão cerca de 43 metros quadrados, com sala, cozinha, dois quartos e banheiro, em cinco condomínios distintos. O Complexo Habitacional também prevê a construção de quadras poliesportivas, pavimentação e construção de ruas e alamedas, além de intervenções no sistema de esgoto local.
A Secretaria Estadual de Obras afirmou em nota que “no momento, o local está passando por limpeza e retirada de arbustos, alem de se proceder a pequenas demolições e movimento de terra. A previsão de conclusão das obras é agosto de 2016”.


Por Marcel Magalhães       AtribunaRj