Hospital Orêncio de Freitas pede socorro.

Capacidade reduzida: instalações do Hospital Orêncio de Freitas

Unidade, que já foi referência, hoje enfrenta problemas de falta de conservação e de insumos básicos como uma simples gaze. Prefeitura já tem estudo preliminar sobre o hospital

Pacientes e profissionais da saúde do Hospital Orêncio de Freitas, no Barreto, Zona Norte de Niterói, denunciam que a situação atual da unidade médica está crítica. De acordo com o Sindicato de Saúde, Previdência e Trabalho (Sindsprev-RJ), na década de 80 o local era referência no atendimento aos males do aparelho digestivo e recebia pacientes de todo o Brasil, enquanto hoje faltam até insumos básicos como ataduras para operações. Além disso, pacientes reclamam do sucateamento dos leitos e da falta de estrutura.
Segundo pacientes na fila de espera, as camas e mesas dos leitos do hospital são velhas. Ainda segundo eles, em alguns setores da unidade não há iluminação devido à falta de lâmpadas. Além disso, transitando pela unidade médica, eles alegam que facilmente se encontram janelas quebradas. Também não há bancos para atendimento e paredes estão descascadas.
“Antigamente o Orêncio de Freitas realizava mais de 200 operações por mês. Hoje esse número não chega nem a 100. Não há material cirúrgico, sendo que às vezes o médico quer operar, mas falta uma simples gaze para realizar o procedimento”, afirmou Sebastião José de Souza, diretor do Sindsprev-RJ.
A dificuldade de realizar uma operação é um problema que Carlos Chelles, de 61 anos, enfrenta dentro de casa. De acordo com ele, sua esposa aguarda uma operação para retirada de uma pedra na vesícula desde novembro do ano passado.  
“Paguei do meu bolso os exames e aguardávamos para realizar a operação. Mas por conta da demora no atendimento, os funcionários falaram que minha esposa terá que refazer os exames porque eles estão ultrapassados”, afirmou Carlos.
Em nota, a Prefeitura de Niterói informou que existe uma demanda reprimida para o agendamento de cirurgias, que segundo o comunicado remete à gestão anterior. “A grande maioria dos pacientes é oriunda de outros municípios, principalmente de São Gonçalo. A Fundação Municipal de Saúde entende que até que os outros municípios acolham seus pacientes , eles serão de nossa responsabilidade. Entretanto, há priorização dos munícipes de Niterói e dos casos mais graves”.
Em relação ao Hospital Orêncio de Freitas, a prefeitura esclarece que existe um estudo preliminar para serem feitas reformas nas unidades.
A unidade, também de acordo com a nota, é um hospital federal municipalizado, por isso não recebe mais qualquer repasse do Ministério da Saúde, ficando todo o custo para a Prefeitura. Mas em audiência recente com o Ministro da Saúde, o prefeito de Niterói solicitou o repasse do custeio para o hospital, e está aguardando a decisão do ministro.

Por: Pedro Conforte    O Fluminense