CCR pode ficar a ver navios

CCR PODE FICAR A VER NAVIOS
Foto: Marcello Almo


Que a fase vivida pela concessionária CCR Barcas não é das melhores não é novidade. Atrasos nas obras de expansão da Estação Arariboia, longas filas e outros problemas ocorrem com frequência. Porém, nesta semana, após dois acidentes deixarem 27 feridos, a Secretaria de Estado de Transportes estuda opções para a administração do transporte aquaviário e pode rescindir o contrato da concessionária.
Na manhã da última quarta-feira, a barca Boa Viagem, que fazia o trajeto Arariboia-Praça XV, bateu em um píer no Rio após apresentar um problema técnico durante sua atracação. Quinze pessoas ficaram feridas. Como se não bastasse, na manhã de ontem um novo revés: uma embarcação que seguia para Paquetá apresentou mal funcionamento e precisou ser retirada de circulação.
“Uso diariamente as barcas e já enfrentei problemas em seis ocasiões. Realmente é complicado demais. Mas não sei se somente trocar a empresa seria o suficiente. Acho que uma saída poderia ser aumentar o subsídio dado pelo governo ao transporte”, disse o publicitário Wilson Vianna, de 30 anos.
Atento aos recentes problemas, o secretário de Estado dos Transportes, Carlos Osório, disse que estuda alternativas para que o serviço das barcas seja oferecido com qualidade para a população.
“Em junho publicamos em Diário Oficial um grupo para análise do contrato da CCR que é muito antigo, criado em 1998. Em 90 dias teremos um resultado e entregaremos ao governador. Uma das alternativas que temos é substituir a empresa realizando nova licitação. Mas isso precisa ser feito com cuidado”, explica Osório que também cogita multar a empresa em um valor aproximado de R$ 400 mil.
Sobre o acidente, o secretário afirmou se tratar de uma falha mecânica grave e que independente de o veículo ser novo ou não, a responsabilidade pelo bom funcionamento é da CCR, já que está em circulação.
“Outro acidente como esse ocorreu na Ilha do Governador há 60 dias. Já aposentei a barca Boa Viagem no mesmo dia. Farei o mesmo com as outras três embarcações antigas que ainda estão operando”, falou ele. 
Para piorar a situação da concessionária, na última quarta-feira o Procon instaurou Ato de investigação pelo acidente ocorrido. Eles informaram que o acidente “parece configurar violação à segurança que se espera dos serviços prestados ao consumidor”. O Ato de Investigação determina que a concessionária apresente os motivos do acidente e informe se existe um plano de emergência para a ocorrência de incidentes dessa natureza. Entre outras determinações do Ato, o Procon quer saber também quais os procedimentos adotados com os passageiros vitimados pelo acidente, o cronograma de manutenção das embarcações e se o problema apresentado possui similaridade com o ocorrido há dois meses na estação de Cocotá, na Ilha do Governador.
Diante do momento delicado, boatos dão conta de que a concessionária já estaria interessada em repassar a concessão, o que segundo Osório, é permitido por lei, desde que seja mediante a autorização do estado. Se isso vier acontecer, o governo precisa avaliar quais empresas estariam interessadas, se têm capacidade financeira e expertise. Uma vez decidido se o poder concedente tem interesse ou não na venda, o caso é enviado para Procuradoria Geral do estado.
Através da assessoria de imprensa, a CCR informou que não está negociando a venda da concessão das Barcas e que cumpre rigorosamente a regra de informar todas as suas decisões ao mercado com a publicação de fatos relevantes ou comunicados ao mercado e por intermédio de divulgação via site da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e da BM&F Bovespa, conforme o caso.
A concessionária aguarda a conclusão do processo de revisão tarifária, que ocorre em períodos regulares conforme previsto no contrato em vigor. 
Na manhã de ontem, Osório se reuniu com representantes da CCR Barcas para discutir o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que garanta indenização aos passageiros do acidente com a Boa Viagem. Segundo o secretário, a intenção é dar celeridade a essas indenizações, evitando longos processos judiciais.
“Em agosto chega a Ilha Grande, em setembro a barca Itacoatiara, além de outras quatro chinesas, que virão entre o fim do ano e primeiro semestre de 2016”, afirma o secretário, que determinou novas inspeções nos veículos para garantir as condições de segurança de cada uma delas.

Por Guilherme Peixe     AtribunaRj