Estaleiro Mauá fecha as portas

Resultado de imagem para Eisa Petro-UmA expressão cabisbaixa, passos lentos e olhos fixos no papel entregue pelos seguranças denunciava que o fim do expediente para os funcionários do Estaleiro Maua (Eisa Petro-Um) não foi sinônimo de boas notícias.
Em um comunicado divulgado no fim da tarde de ontem para todos os trabalhadores, a empresa do ramo naval decidiu paralisar suas atividades por tempo indeterminado, sob alegação de atravessar uma grave crise financeira. Com isso, cerca de 2 mil operários estão em xeque e podem se juntar a outros mil, demitidos no fim do mês passado. O Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói repudiou a decisão e prometeu uma manifestação, no Centro do Rio de Janeiro, hoje.
De acordo com o comunicado, a empresa vem atravessando um momento de turbulência no setor financeiro, agravada pela crise econômica que o País também está imerso. O documento pedia que os trabalhadores permaneçam em casa e não compareçam à empresa para trabalhar hoje até segunda ordem. E o futuro das atividades do Eisa Petro-Um é uma incógnita.
“Solicitamos a todos que a partir de amanhã (hoje) permaneçam em seus domicílios até efetivarmos negociações com o sindicato representante da categoria profissional, para definirmos a continuidade ou não das atividades industriais”, detalhou o comunicado.
Há seis anos trabalhando no estaleiro, um maçariqueiro, que preferiu não se identificar, afirmou que a decisão gera um sentimento de preocupação sobre o futuro dos operários. “Não poderia ser pior, porque sabemos que muita coisa está errada no estaleiro, mas sempre é o trabalhador que paga esse preço amargo. É ainda pior agora, porque o Brasil está num período muito difícil. O que vou dizer para minha família quando chegar em casa?”, lamentou.
No início da noite, o Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói emitiu uma nota de repúdio a determinação da diretoria do estaleiro.
"Fechar o Estaleiro Mauá é cuspir na história dos trabalhadores e em todo esforço do governo para recuperar os investimentos no setor naval. A corrupção na Petrobras não pode ser motivo para destruir a indústria brasileira. A Justiça deve punir as pessoas corruptas e não as empresas. Quem paga o preço novamente é o povo trabalhador. Agora é hora de unir forças. Vamos para as ruas protestar e brigar pelos nossos empregos", afirmou, no comunicado, o presidente Edson Rocha.
Os sindicalistas afirmam ainda que a crise está diretamente relacionada ao recém-divulgado Plano de Negócios e Gestão da Petrobras, que prevê corte de gastos em diversos setor do ramo naval e que o encerramento definitivo das atividades do Eisa Petro-Um vai render um número próximo de 2 mil demissões. Hoje está uma manifestação em frente ao prédio da sede da Transpetro, na Avenida Presidente Vargas, no coração do Rio de Janeiro.


Por Marcel Magalhães        AtribunaRj