Hospital Universitário Antônio Pedro corre o risco de fechar as portas em 2 meses

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Há 90 dias em greve e sem recursos disponibilizados pelo Governo Federal, o Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap) corre o risco de fechar as portas.
De acordo com o Comando de Greve do Sintuff, o diretor do hospital, Tarcísio Rivello, teria dito há um mês que não conseguirá manter o hospital aberto por mais 90 dias devido ao corte das verbas destinadas às universidades federais. Com isso, a unidade, que é referência no tratamento de câncer em Niterói, tem dois meses para se recuperar. Segundo Pedro Rosa, coordenador do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Universidade Federal Fluminense (Sintuff), o hospital passa por uma crise e até materiais básicos para tratamento hospitalar estariam em falta. Em maio, alunos, professores e funcionários técnico-administrativos entraram em greve como protesto do corte de R$ 9 bilhões das verbas destinadas à educação pelo Governo Federal. 
Pedro Rosa afirmou que a União propôs reajuste de 5% ao funcionalismo, percentual que foi recusado pela categoria. 
“O diretor declarou há um mês ao Comando de Greve que, com as verbas atuais ele não conseguiria manter o hospital por nem três meses. Até dia 21 haverá uma reunião para uma nova proposta. As propostas anteriores não foram produtivas. Eles mantiveram os 5% de reajuste salarial que serão divididos em 2016 e 2017. Isso não dá para cobrir”. 
O sindicato pede também que todo o quadro de funcionários seja de servidores. Atualmente, serviços de limpeza e segurança são feitos por empresas terceirizadas. As empresas também estão sem pagamento.
“A UFF é a terceira maior universidade do Brasil e recebe um bilhão e seiscentos mil reais por ano. Seriam seis universidades retiradas do financiamento. É como se seis UFFs deixassem de existir. Tudo por causa desse corte. Não é a greve que está fechando os setores da UFF, é o corte. A universidade deve a todas as empresas terceirizadas. O serviço básico é ameaçado. Os alunos estão com bolsas atrasadas”.
De acordo com Pedro Rosa, reitores de algumas universidades federais do país, como as faculdades do Piauí, Bahia e São Paulo declararam que, independente do fim da greve, será difícil retomar o calendário acadêmico.
“Algumas universidades não têm dinheiro para funcionar até o final do ano. A presidente cortou dez bilhões de reais. O calendário foi suspenso não por causa da greve, mas sim por causa da verba. Não temos alternativa. Além disso, querem cortar em 25% os empregados terceirizados. Estou para me formar nesse período e não sei o que fazer”, disse a estudante de ciências sociais, Camila Leite, 23 anos.
O diretor do Hospital Antônio Pedro foi procurado, mas a assessoria informou que estava em reunião e não respondeu à reportagem sobre o possível fechamento do hospital.
Já o Ministério da Educação informou que acompanha as negociações e reitera que está aberto ao diálogo. O Ministério do Planejamento, por meio de sua Secretaria de Relações de Trabalho (SRT/MP), disse que vem negociando com os servidores públicos federais. As propostas que estão na mesa neste momento foram apresentadas no dia 20 de julho, em reunião com os sindicalistas no Fórum Nacional das Entidades.
Segundo o ministério, na ocasião foi reafirmado o índice de 21,3% em quatro anos proposto adicionalmente reajuste de três benefícios – auxílio-alimentação, auxílio-creche e plano de saúde suplementar; e a possibilidade de nova negociação em 2017. Essas propostas valem para todas as categorias de servidores do Executivo Civil, inclusive as que estão em greve, como as universidades.


Por Aline Balbino   AtribunaRj