Clima tenso na zona norte !

MEDO NO FONSECA
Foto: Marcello Almo


A guerra das facções criminosas em Niterói fez mais uma vítima nesta sexta-feira. Um jovem identificado apenas como Mayson, foi encontrado morto dentro de um veículo roubado na Travessa Pascoal, na Engenhoca, Zona Norte da cidade.
A vítima estava deitada no interior do veículo com marcas de tiros. Segundo policiais e conhecidos, o jovem foi vítima de vingança de traficantes do Morro do Estado, comandando pela facção TCP. Já que ele era morador da Engenhoca, onde a facção dominante é o Comando Vermelho. Com a guerra travada entre grupos criminosos, Maycon teria sido usado apenas como “bode expiatório”, para mostrar qual comando, efetivamente, domina a cidade.
O jovem era morador da Rua 4, na Engenhoca, e teria se envolvido no passado com o tráfico de drogas da região. Para livrar o neto, o avó do jovem levou-o para morar com parentes no Morro do Estado.
“O problema era que ele ficava indo e voltando. Ele se envolveu no passado com o tráfico e saiu. O avô dele o mandou para o Morro do Estado morar com parentes para ver se ele se ajeitava. Aí ele voltou, viram ele na quinta-feira andando pela Avenida (Professor) João Brasil, em frente à Nova Brasília. O problema é que um dia ele ‘tava’ num lugar e no outro dia estava em outro. Isso é uma guerrinha, estão tentando mostrar quem manda e ele pagou por isso”, disse um vizinho que preferiu não se identificar.
O corpo de Maycon foi encontrado dentro de um Crossfox branco que consta como roubado no último dia 13. O jovem estava vestido com bermuda jeans e camisa preta.

Assaltos no Fonseca
Moradores e comerciantes locais reclamam de frequentes assaltos na região. Não tem hora, seja noite ou dia, criminosos agem normalmente na Alameda São Boaventura. Eles acreditam que a polícia, principalmente lotados na Companhia Destacada localizada no Horto, têm feito um bom no trabalho. No entanto, o crime organizado tem crescido desproporcionalmente aos esforços da polícia. O dono de uma loja para equipamento de carros que preferiu não se identificar se assustou na semana passada quando chegou em seu local de trabalho e encontrou uma cápsula deflagrada no chão e um buraco na telha.
“Eu me assustei e chamei um amigo da polícia só para confirmar se era buraco de tiro mesmo. Esse lugar está terrível. É assalto dia e noite, bala perdida”.

Briga entre facções
Na região da Zona Norte de Niterói, apelidada de Fonsequistão, a rotina permanece de medo com traficantes, parte deles vindos do Rio e localidades vizinhas, se alternando na disputa pelo controle de pontos de venda de drogas. Há cerca de duas semanas os agentes da Divisão de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG) foram acionados quase que diariamente para atenderem ocorrências na região.
Cerca de 24 horas antes da especializada ser acionada para o encontro de cadáver na Engenhoca, os agentes já tinham ido (na tarde de quinta-feira) para a Rua Emilse, no bairro São Lourenço, onde em frente ao número 127 havia um veículo roubado abandonado. Dentro do carro foi encontrado outro corpo, de um homem não identificado, que pode ter sido executado na guerra pelo controle do tráfico na região. Se o carro (modelo Celta) onde o cadáver estava havia sido roubado, de acordo com a polícia, no dia 12 de fevereiro, na área da 76ª DP (Centro), o outro veículo, da manhã de sexta-feira, teria sido roubado no dia seguinte. Outro detalhe em comum que não chamou a atenção. Segundo fontes policiais, os cadáveres não estavam no porta-malas dos carros, mas sim nos bancos dos veículos. 

Por Aline Balbino e Augusto Aguiar                   AtribunaRj