Crise muda perfil da educação


A crise econômica que acometeu o país no ano passado está forçando a população a tomar medidas para conter gastos. Entre elas está a troca de escola particular pela rede pública de ensino.
A direção da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep) afirma que as escolas particulares perderam entre 10% e 12% das matrículas em 2016, por causa, principalmente, da crise financeira. Foi identificada a saída de estudantes de escolas privadas, principalmente de famílias das classes C e D. Se antes essa parcela da população conseguiu crescer o poder aquisitivo, hoje o mesmo grupo sofre com o baque na economia. Em São Gonçalo esta mudança está sendo sentida. De acordo com a Secretaria municipal de Educação, houve um aumento de 25% no número de alunos matriculados na rede municipal de ensino em 2016, subindo de 41 mil para 50 mil estudantes em todas as 106 unidades de ensino. 
As matrículas que foram realizadas previamente pela internet ainda estão em fase de apuração e deverão ser concluídas até a próxima sexta-feira. Em Niterói os dados de 2016 ainda não foram compilados, mas houve aumento leve com relação a 2014 e 2015, onde 19.382 alunos faziam parte do ensino fundamentam no ano retrasado, já no passado, o número subiu para 19.423. No ensino infantil o número subiu significativamente de 6.162 para 6.496. A Secretaria de Educação informou que está se preparando para receber aumento na demanda. O orçamento de 2015 cresceu de R$ 306 milhões para R$ 340 milhões, este ano. 
“O grande diferencial este ano é que toda a rede municipal de ensino esteve integrada, inclusive para as vagas em creches conveniadas. Com a integração, nós esperamos aumentar o número de matrículas na rede, além de oferecer total igualdade no acesso às vagas nas unidades escolares do município”, ressaltou a secretária da pasta, Vaneli Chaves.
Milena Cardoso Freire, 42 anos, é mãe de quatro filhos, três já estudam, e mensalmente ela desembolsa R$ 3.900. Só de material escolar ela gastou no início do ano R$ 6 mil. Mesmo com os altos valores, ela afirmou que vai se esforçar para pagar a escola, mesmo agora que saiu do emprego onde trabalhava.
“Juntando a escola dos dois menores e o cursinho do mais velho de 18 anos, eu pago essa fortuna por mês. Só de material foram R$ 6 mil, é muito dinheiro. Acho que as escolas poderiam cobrar valores mais acessíveis. Colocar em colégio público eu não penso porque o ensino sempre é inferior’, disse.


Por Aline Balbino                    Atribunarj