CULTURA

                                                 
Kurt Helmut

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Por Kurt Helmut 30-01-2016


MANHÃ




Entre pássaros, flores, sonhos e percepções:
um ser tem como herança
a sua própria doença.

A realidade
está frente aos olhos
daquele que se permite observar,
e corta a alma,
como se fosse 
um caco de vidro.



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Por Kurt Helmut 30-01-2016

CULTIVAR

Semear,
e na probabilidade,
folhas,
flores
e frutos.
Algumas só espinhos,
entre outras,
nem sombras.

A vida é uma arte
onde a pétala
tende ser a flor
e o espinho
pode ser até
uma pedra de ponta.



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Por Kurt Helmut 20-01-2016

IPÊ

Imagem inline 2

O encanto amarelo
e precioso feito ouro
tem a sensibilidade
que o vento balança
a ternura do corpo.
A sensibilidade
na textura da pele
traduz a leveza,
onde a cobiça
nascente da flor
tem o estigma
que leva a levitação:
me perco,
me acho,
me sinto.
Pressinto-me
parado ao ar,
sou mais um colibri...




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Por Kurt Helmut 19-12-2015

CAÇAMBA DE LIXO


Imagem inline 1




Amo o bairro em que moro
e aprecio quase tudo que ele tem.
Certa vez, 
fui até a Biquinha,
um local da minha
memória infantil,
perto da minha casa.
Lá existia
o tal buraco do índio,
onde, ao longo do percurso,
havia um portão
que ninguém ousava cruzar,
mas o crescimento da população
tratou de tampar.
Hoje bem próximo
há uma caçamba de lixo,
e eu, como um catador,
comecei a fuçar...
Peguei uma letra "a"
e dentro de uma lata enferrujada
achei a letra "s".
No fundo da caçamba
tinha uma letra muito suja,
que ao limpar,
percebi que era outra letra "a".
Levei para casa:
lavei e sequei as três.
Juntei e formei uma pequena palavra e,
depois de pronta,
voei...


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Por Kurt Helmut 18-09-2015

ORQUÍDEA AZUL


Um pedaço do céu
na sensibilidade de uma flor.
Um andar de vento forte
no olhar que se fecha
entre o medo
e o desrespeito.
As belezas naturais
entre as planícies
e os relevos bem guardados:
tem um jeito de sol e só,
um jeito de tarde e sempre,
um jeito de noite e doce.
Onde a vontade de ser
é muito diferente do que é,
e no entanto, é o tudo que a timidez
convive e se inibe.
A chuva na constância das lágrimas
é uma história que se perpetua
onde só a atitude
será um basta.
Mas a essência doce
ainda filtra e contagia,
gerando ciúmes, invejas e discordâncias.
De repente, o jeito azul
se fortalece em seus gritos,
entre surdos e ignorantes,
onde seu próprio eco
o empurra para frente
e para o outro lado
de um mesmo mundo
onde um anjo escuta.

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Por Kurt Helmut 31-08-2015

LARGO DO BARRADAS


Foto: kurt Helmut

No corpo de um bairro
que se veste 
de pessoas e histórias,
com seus idosos 
e suas crianças, 
o Largo do Barradas
é um órgão que pulsa
como se fosse um coração.

E retratá-lo com poesia,
talvez seja
um bom remédio...

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Por Kurt Helmut 23-08-2015

CARAMELOS



A essência doce
que pressinto
está na pele
que tanto almejo
sem ter.

E os olhos lindos,
como se fossem
caramelos ou o próprio pôr do sol,
são convidados pelas metáforas a dançar
e se tornam inverno, outono, primavera, verão...
Mesmo assim,
o culltivo do tecido
é o pensamento
onde eles moram.

Onde o tamanho da distância
tem a dimensão de um vento
que veste um corpo,
varre a alma,
e como um badalo 
de uma igreja matriz,
faz do coração 
simplesmente um sino.

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Por Kurt Helmut 20-07-2015

PÉS

A cada dia,
em instantes diversos,
os observo:
passo a passo,
olho a olho.

Vestidos ou nus,
sensuais ou obscenos,
doces ou salgados,
verbais ou quietos,
cristais ou ventos.

Caminho em paralelo,
sigo e disfarço,
silencioso e discreto:
as formas, os modos, as performances:
natural e sofisticada,
singular e plural,

palavra e verso,
jeito e mania,
mulher e flor,
Orquídea Azul...

Ela é próprio texto
onde da sustentação
onde pisa,
é a textura,
onde a forma se tatua:
em essência,
e na lembrança...

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Por Kurt Helmut 13-07-2015

O LIMITE DO PONTO



Resultado de imagem para O limite do Ponto
A vida respira
e tudo se deteriora:
da visibilidade ao implícito,
do estático ao deslocamento.
Um coração on line
se expõe à flor da pele.
Baila, canta, despe-se e voa:
da simplicidade ao sentimento,
do olhar ao movimento,
da veracidade à percepção.

Viver é o desgaste do traço,
a certeza do risco,
o limite do ponto.

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Por Kurt Helmut 15-06-2015


O PAPEL


Um pássaro em papel,
um poeta em extinção.
Uma linha corta
e os olhos rasgam.
A  palavra machuca
quando uma bala se perde.
O meio é o centro que entristece:
do tudo desse nada
pelo nada querendo tudo.
O pássaro de papel,
na verdade, é um poeta.
Onde a pétala
que se perde do botão
é a rocha totalmente esfarelada.

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Por Kurt Helmut 19-04-2015

NA REALIDADE


Sou um pouco o final
de um ano que se vai.Sou a essência de um início
que engravida
na barriga da espera.

Sou cada palavra solta
de um folhetim popular.
Sou um sinal,
que dá sentido ou demarca,
uma letra ou uma metáfora.

Sou a sombra
da minha própria luz.

Quem sabe,
um vento que destelha,
mas enquanto você pensar,
me disperso.

É!...
Sou, provavelmente, um temporal
que assusta mas não rola.
Na realidade,
não ser nada
para minha pessoa,
é o tudo que carrego.

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Por Kurt Helmut 24-02-2015


TANGERINA





Caso o dia,
"por consequência",
se amargue,
pense em algo bem doce:
pode ser eu,
pode ser uma tangerina...


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Por Kurt Helmut 05-02-2015

BUSCA DO PERDÃO

Um poeta em busca do perdão
através vários slides maravilhosos: 


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Por Kurt Helmut 11-01-2015

MENINAS

Dentro do silêncio,
entre ruas ou avenidas,
caminham as meninas
na fuga dos olhos e
no piscar de cada atitude.

Agarradas ao momento,
mordem, mastigam e cospem
as consequências
de cada excesso.

A ideia lacrimeja
e na sequência
o tempo transpira:
da flor
ao pólen,
do fecundo
ao broto.

Mas elas cirandam
pela terra ao vento,
na magia da folha,
no tablado desse palco.



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Por Kurt Helmut 01-12-2014



A ÁGUA

A água não mexe,
se não move
não umedece:
a culpa,
o ódio,
a seca.
Há aqueles que têm suas nascentes,
Alguns que sobrevivem do suficiente,
Outros que desperdiçam,
E tantos que nem água têm.
Mas a água não mexe,
se não desloca
não refresca:
evapora,
resseca,
mata.




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Por Kurt Helmut 17-11-2014

PONTOS E TRAÇOS

Entre agulhas,
 linhas,
 traços,
 e pontos:
 a forma se forma,
 a ideia se veste,
 a sensibilidade se diverte.

Intervalos,
 a partir de alguns pontos,
 são respiros
 que transpiram sutilezas.

O olhar passeia
 e caricia a pele e o tecido,
 onde as mãos,
 sem tocar,
 sentem a textura
 e a veludez do corpo.

Na arte da arte:
 a mente faz crochê,
 trança,
 destrança,
 suspira,
 conspira,
 dança,
 voa... 

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A arte em crochê de Jane Regina Travain FerreiraPONTOS E TRAÇOS

Entre agulhas,
linhas,
traços,
e pontos:
a forma se forma,
a ideia se veste,
a sensibilidade se diverte.
Intervalos,
a partir de alguns pontos,
são respiros
que transpiram sutilezas.

O olhar passeia
e caricia a pele e o tecido,
onde as mãos,
sem tocar,
sentem a textura
e a veludez do corpo.

Na arte da arte:
a mente faz crochê,
trança,
destrança,
suspira,
conspira,
dança,
voa... 


EM TEMPOS DE 1ª PESSOA




Nas rimas eu remo
nas concordâncias eu acordo
nas vírgulas eu entro
nos pontos eu paro.

Nas exclamações eu me inibo
nos travessões eu me solto
nas interrogações eu me pergunto
nas reticências eu me calo.




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Por Kurt Helmut 20-10-2014


MERGULHO

 A gota da tua atenção
é profundamente sincera

e faço dela o meu mar:

perco-me em ondas,

encontro o oceano.



PARALELO

O tempo faz da folha
a solteira do galho
e um pássaro
tece o ninho
com o canto do canto,
com o canto do bico...

O tempo é o filme da bala
que do túnel do cano
atropela, rasga ou mata.


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Por Kurt Helmut 14-09-2014

COBIÇA




Num pedaço da noite
os olhos:
se flagram,
se tocam,
se beijam...

E na displiscência do movimento
o barulho
é silêncio a dois.

O coração venta:
o cheiro,
o ritmo,
a essência
e a cobiça.



DESFOCAR


O foco, foca:
a foca,
o foco,
a própria.

A própria sufoca
e desfoca:
a foca,
o foco,
a própria.




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Por Kurt Helmut 18-08-2014


MERGULHO
A gota da tua atenção
é profundamente sincera
e faço dela o meu mar:
perco-me em ondas,
encontro o oceano.



EMERSÃO

Sou um peixe no tempo 
que nado dentro 
de mim mesmo 
querendo a emersão 
na realidade, 
onde as frases bonitas 
e profundas, 
poéticas ou não, 
soltas no ar, 
serão sempre as iscas 
entre os anzóis da vida, 
que me fisgam 
e pescando do meu mundo irreal.



O LIMITE DO PONTO 
 
A vida respira
e tudo se deteriora:
da visibilidade ao implícito,
do estático ao deslocamento.

Um coração on line
se expõe à flor da pele.
Baila, canta, despe-se e voa:
da simplicidade ao sentimento,
do olhar ao movimento,
da veracidade à percepção.

Viver é o desgaste do traço,
a certeza do risco,
o limite do ponto.

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Por Kurt Helmut 03-08-2014


PÉTALAS


O barulho das minhas palavras
adentrando a silenciosidade
do teu movimento cotidiano...



CACTO

Capto...
Entre espinho e pele,
cacto...

Tacto...
Entre sensualidade e beleza,
a unicidade da flor...




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Por Kurt Helmut 06-07-2014

ARRAIAL




No arraial do meu sentimento:
meu coração é a fogueira,
meus olhos bandeirinhas,
meus sonhos balões...

E no bolso
de quem leva o correio do amor,
deixo uma única frase:
eu ainda te amo.


Manda-me

Manda-me um só beijo
em uma folha de papel ou pétala,
num pedaço de pano ou pedra
e guardarei de você,
o contorno labial gráfico:
do seu silêncio ou barulho,
das suas inquietações ou perguntas,
da sua poesia ou música,
da sua imaginação ou criatividade.
Manda-me outra fotografia,
onde o ângulo difere
um lugar qualquer...
Manda-me um sinal de fogo ou fumaça,
bata um tambor ou lata,
faça um solfejo ou acorde,
de um grito forte ou assovio,
escreva outra carta ou ligue,
pense em qualquer coisa
que eu não ligo,
mas por favor,
se comunique.

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Por Kurt Helmut 16-06-2014

SORRISO


Adorei o sorriso.
Por um instante
mergulhei
e me perdi...


Adorei o sorriso.
Mediante ao processo,
retomei o caminho
e foi possível
desligar a máquina.



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SEGREDO


Sujei o meu olhar
na transparência sutil
do teu b
atom.


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Por Kurt Helmut 25-05-2014

O Colibri

Sou o colibri
que na permissão
dos anjos,
circulo a tempo
o seu quintal,
na espera do momento exato 
da sua estação...
Enfim,
pouso em seu coração
e levo no bico
o que eu sempre quis:
o seu néctar.

SINTOMAS

Ligo e não obtenho
sinais ou respostas.
O que existe na verdade,
suponho: só a minha alma.
Talvez na sequência
imagino:
um sonho,
um fogo,
um vento...
Mas sem imagens ou sons...




LUA CHEIA


A lua rasgou a janela
numa simplicidade...
Ela estava
tão cheia e bonita
que me deu vontade
de pedir ao dono do bar
só meia porção,
para acompanhar
a cerveja gelada
que havia pedido.


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Por Kurt Helmut 27-04-2014

A MOSCA 


Era uma vez
no universo do faz de conta,
uma mosca.

Que a sobrevoar
a tranquilidade do deserto
de um açucareiro,
foi surpreendida sob o peso
de um maníaco polegar,
que ao levar a inocente,
até o fundo do pote,
concluiu mais uma atrocidade.

Embora as evidências direcionem
um crime premeditado...
Mesmo assim,
o caso não foi registrado
como praxe,
na delegacia mais próxima.

Quanto ao dedo,
foi visto na companhia
de mais quatro,
na cozinha da história;
como se nada
houvesse acontecido.

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Por Kurt Helmut 17-04-2014



A arte de um artista na arte de outros artistas...





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Por Kurt Helmut 10-03-2014



NOSSOS MEDOS

Medo
por um
ou vários motivos.

Medo,
quem não tem
ou já teve.

Medo:
eu,
tu,
ele,
nós,
vós,
eles...

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Por Kurt Helmut 02-02-2014


O PÁSSARO

Se ainda me lembro, foi bem cedo. O céu já estava azulado na expectativa do primeiro raio de sol. A porta do meu barraco deu duas piscadas para o tempo e eu me projetei rua a fora, na busca de um sonho novo. No fio de um poste, frente à birosca do senhor Pindoco, um pássaro no seu canto, cristalizava o momento, dando-me um bom dia, sem se quer me conhecer.
Entre um canto e outro, por alguns momentos, respirávamos juntos a mesma emoção. Seria como se o tempo estivesse parado. Então, sem que nós percebêssemos diante da tamanha satisfação,éramos observados por um gato angorá, que urinava por detrás de modesto fusca cinza, o suficiente para bolir o nosso prazer mágico. Daí eu me lembrei dos meus compromissos e, apressado, fui o primeiro a voar, fora daquela inocência proporcionada por tanta alegria. E sem que eu quisesse, bem mais adiante da tamanha distância que nos separava, percebi que não havia me despedido daquele tão simpático pássaro... E o sol sumia no horizonte, dentro de uma bela tarde, já grávida da noite.




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Por Kurt Helmut 27-01-2014


TERRAÇO

Morro quando olho,
favela dentro de mim.

Na janela abre um sorriso:
bom dia, boa tarde ou boa noite.
Lata d'água na cabeça,
parabólica no telhado,
birosca no caminho,
tênis importado no pé.

O estampido acontece...
É rotina...
E sem direção
a perdida bala
acha um corpo
e o desprograma.

Na horta da tia,
cai uma semente:
brota o broto,
o galho, a folha,
a flor e a essência...

Uma criança de chupeta
cruza o meu olhar.
E nas meninas
dos olhos que carrego:
cenas, histórias e vivências.

Atlantis Copacabana: Pavão Pavãozinho nocturna



INVERNAR

O galo canta
e o apito do trem
confirma...
Está morrendo
a madrugada.

Luz acesa na cozinha
e o cheiro fresco
do café
a perfumar o quintal.

As plantas
já acordadas
aguardam o tempo
que divide:
manhã, tarde, noite...

Lábios rachados,
corações partidos.
Todos vestidos por agasalhos
que fingem aquecer:
corpos e momentos.

Lágrimas
que descem rostos
e somem
em poças d'água.
Um grito interno
dilacera
o instante mágico do sonho.


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Por Kurt Helmut 13-01-2014

A BORBOLETA
Era uma sexta-feira bem modesta;
o sol já tinha se despedido da tarde.
E os pardais faziam a maior algazarra
na disputa dos galhos.
O vento chegava tímdo. Mesmo assim, uma borboleta
de cor não importante, conseguia se equilibrar sobre
uma flor,
espalhado essência, pólen e anuciando, através da
sua sensibilidade, a mais recente poesia a um poeta;
que acompanhava tudo pela frincha de uma janela.

 

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Por Kurt Helmut 16-12-2013


PARADA 40

Todos se foram.
E parado na parada do ônibus,
observei a mudança do tempo
num trânsito de total silêncio
e de pura tensão;
a noite me vestiu...

O cheiro de peixe frito,
do bar da frente,
trazido ao vento,
cruzou a contramão da rua:
atropelou meus planos,
mexeu com o comportamento
da minha fome...

Nas esquinas mais entocadas
como, também, nas vielas ou becos:
certos ou errados -
jovens, adultos e idosos,
estão quase sempre entre elas:
vendendo e consumindo
seus corpos e seus remédios,
sem culpa, sem consciência, sem história...

O sol da hora
nasce a cada segundo
onde os instantes
se encontram nublado.
Ventos, relâmpagos e trovoadas!
É!...
Parece que vai chover granizos!

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Por Kurt Helmut 16-12-2013

Vestido

Vestido de sentimento
sou tecido
por um olhar.


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Por Kurt Helmut 24-11-2013



MAR(IA)

Dentro de Maria
mora o mar.
Ondas sobem...
Ondas nascem.
Ondas vão...
Ondas vem.
Ondas nascem...
Ondas morrem.
Ondas praias...
Pairam Maria.
Onde ondas,
Mar(ia).
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Por Kurt Helmut 04-11-2013

O POETA COME AMENDOIM
Noites pesadas de cheiros e calores amontoados...
Foi o sol que por todo o sítio do Brasil
andou marcando de moreno os brasileiros.
Estou pensando nos tempos de antes de eu nascer...

A noite era pra descansar. As gargalhadas brancas dos mulatos...
Silêncio! O imperador medita os seus versinhos.
Os Caramurus conspiram à sombra das mangueiras ovais.
Só o murmurejo dos cre'm-deus-padre irmanava os homens de meu país...
Duma feita os canhamboras perceberam que não tinha mais escravos,
por causa disso muita virgem-do-rosário se perdeu...

Porém o desastre verdadeiro foi embonecar esta República temporã.
A gente ainda não sabia se governar...
Progredir, progredimos um tiquinho
que o progresso também é uma fatalidade...
Será o que Nosso Senhor quiser!...

Estou com desejos de desastres...
Com desejo do Amazonas e dos ventos muriçocas
se encostando na canjerana dos batentes...
Tenho desejos de violas e solidões sem sentido...
Tenho desejos de gemer e de morrer...

Brasil...
Mastigando na gostosura quente do amendoim...
Falado numa língua curumim
de palavras incertas num remelexo melado melancólico...
Saem lentas frescas trituradas pelos meus dentes bons...
Molham meus beiços que dão beijos alastrados
e depois semitoam sem malícia as rezas bem nascidas...

Brasil amado não porque sejam minha pátria,
pátria é acaso de migrações e do pão-nosso onde Deus der...
Brasil que eu amo porque é o ritmo no meu braço aventuroso,
o gosto dos meus descansos,
o balanço das minhas cantigas amores e danças.
Brasil que eu sou porque é a minha expressão muito engraçada,
porque é o meu sentimento pachorrento,
porque é o meu jeito de ganhar dinheiro, de comer e de dormir.
Mario de Andrade - 1924

*O na ocasião em carta, o poeta Mario de Andrade,
 dedicou esse poema ao poeta Carlos Drummond de Andrade.

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Por Kurt Helmut 14-10-2013



AINDA QUE MAL

Ainda que mal pergunte,
ainda que mal respondas;
ainda que mal te entenda,
ainda que mal repitas;
ainda que mal insista,
ainda que mal desculpes;
ainda que mal me exprima,
ainda que mal me julgues;
ainda que mal me mostre,
ainda que mal me vejas;
ainda que mal te encare,
ainda que mal te furtes;
ainda que mal te siga,
ainda que mal te voltes;
ainda que mal te ame,
ainda que mal o saibas;
ainda que mal te agarre,
ainda que mal te mates;
ainda assim te pergunto
e me queimando em teu seio,
me salvo e me dano: amor.
Carlos Drummond de Andrade


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Por Kurt Helmut 01-09-2013


ACIDENTE



Bati com o coração
na quina da lembrança
e nesse exato instante
estou morrendo de saudade...








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Por Kurt Helmut 23-06-2013


JASMIM

No campo propício,
cresce e até velho se torna
varando olhares, gerações e o tempo.

A limitação de um jardim
tem a geografia
que atrofia o próprio corpo da espécie,
inibindo o caminho
e a sensibilidade natural.

Jasmim em um buquê
dentro de uma vitrine blindada,
dessas lojas antigas
de vestidos simpáticos,
próxima a cancela
daqueles trens Maria fumaça
que por ali não passam mais.

Mas mesmo assim,
fica a história, a fragrância,
a sinceridade
e a eternidade
de um ótimo convívio.

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Por Kurt Helmut 16-06-2013
 
PERFORMANCE
O movimento
nos seus tantos ventos
leva a sonoridade
dos versos e ritmos,
ao sentimento do olhar
que baila,
com se fosse,
certas folhas secas ou verdes
que caem fora da estação...

E ao fim dessa performance,
no instante da hora
entre a linha do caminho
e das palavras bem vestidas,
sai sem avisar
tatuando a memória
e marcando lembrança.

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Por Kurt Helmut 20-05-2013

DIVAGAÇÃO
Confesso: Atravessei por baixo
da passarela do momento
e por um instante,
fui atropelado pelo tempo.
Braços, pernas, olhos,
lábios, nariz e as orelhas,
voaram para o outro
lado da pista;
enquanto o coração
estava preso ao fio
da razão.
O socorro não chegou
e ninguém
a não ser eu mesmo,
pôde tocar
nos meus próprios destroços.
Sei que estou morrendo
mais uma vez,
por um sentimento,
onde a infinitude
é um fato concreto.
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Por Kurt Helmut 20-05-2013


EXATAMENTE HOJE

Hoje eu acordei
na necessidade puramente sincera
e porque não sanguínea?
De exercitar versos novos,
dentro de um ritmo pós-moderno,
se assim posso afirmar.
 

Hoje ao cruzar
o portão da residência
na qual convivo,
saí na implicância
comigo mesmo, de perceber:
sons, cheiros, cores,
fragmentos de conversas
e também,
em ver pessoas
caminhando em praças,
ou cruzar com tantas outras,
num ônibus cheio
no meu trajeto cotidiano.


Gostaria, também,
de ouvir a sonoridade rítmica
de um só verso,
entre tantos outros,
de um amor
que se foi no vento,
e retorna vezes outras,
como se fosse uma brisa
a me cortar todo.


Na realidade
eu gostaria de tantas outras coisas,
nesse exato momento...
Onde me privo em palavras
deixando à vontade
o meu inconsciente
consciente.


É!...
Eu acho mesmo,
que hoje,
exatamente hoje,
é um bom dia
para eu chorar.

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Por Kurt Helmut 13-05-2013

Perco uma grande amiga e poeta,

pois aonde ela estiver com certeza estará bem e será um espírito sempre de luz...

Um dia te encontro de novo Maria Amélia da Fonseca Costa(Melinha)...




BRILHO TRISTE

No momento
em que a tarde caía,
lá estava
uma mulher...
Transvestida de fada
onde trazia na sua vontade;
"por hora",
um só pedido.

A avenida principal
dos seus olhos;
invertem:
papéis, personagens, histórias.
Transformam em sonhos
e dormem tranqüilamente,
sem culpa.

Nos seus olhos-avenida
vão deslizando
um brilho triste
de uma imagem
que se diz poética.
Onde uma lágrima
fina de sangue
me corta a carne,
sua carne,
adormecendo o que é de fato.

Dispertando o que foi de fato.


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PULSAÇÃO


Avenida-coração
que tentamos
atravessar por debaixo
da passarela,
correndo o risco de
sermos atropelados pelo tempo.


Lágrimas que afogam as meninas,
pulsação estremecendo um corpo...
Final de uma esperança.
Explosão de uma história.


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Por Kurt Helmut 05-05-2013

BOTAFOGO
Campeão Carioca de 2013


 O meu coração se comporta,
  como se fosse, 
  uma estrela nesse momento de emoção...

  
  








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Por Kurt Helmut 29-04-2013

 

VENTOVenta elogio
que sopra uma casa magoada,
num tempo onde o chuvisco
é a depressão.

A angústia se vende
por um prato de alegria.

Vento passa
e no seu sopro elogio some
ao som da última palma.

A mágoa
se desquita da tristeza
e vai morar num sorriso
no bairro coração
na cidade corpo.

E no calor da vida
dissolve com o tempo
a depressão, que acampa
numa história entrando em cena,
marcando uma sina
sem previsão de epílogo.


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Por Kurt Helmut 21-04-2013



             VAZIO
No silêncio do pátio,
ao balanço das folhas,
entre as sombras das árvores;
o incômodo de um grito
não dito,
gera em mim
um certo desconforto.

Na parede lateral
mau pintada,
de um prédio sem sentido,
o emboço solto
expõe um tijolo
que sangra areia...

Verifico tudo
da janela do ônibus,
que corta a história
a cem quilômetros por hora,
avançando sinais.

Perdido como se fosse
uma bala sem dono,
atinjo, em cheio,
o vazio do nada...
Pois, na ápice
de uma troca de marcha,
ou de uma troca de tiro,
finalmente:
chego ao canto de uma rua...
Chego ao canto de um pássaro.
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Por Kurt Helmut 14-04-2013

SELEÇÕES







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Por Kurt Helmut 07-04-2013



Pego o momento
que me assalta
e quebro-o
em várias fraturas expostas.
E exponho em paralelo,
universos diversos.

Fotografo: vivências, olhares
odores e até mesmo
o sentimento
captado pelo som
de quem conta uma história.

Inspiro tudo
e transpiro o sumo...
Revelo a essência em palavras
e sigo discretamente
por trás das linhas
que formam trilhas,
fazendo desse movimento
um retrato falado.

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Por Kurt Helmut 31-03-2013 

REFLEXÃO

Um brinde ao tempo:
curvo-me ao vento que rasgo-o com o meu próprio corpo,
com reverências e simplicidade
através do tempo, silêncio ou barulho
que me cabe enquanto um ser...

Sou mais um grão solto na infinitude
desse universo que respiro.


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Por Kurt Helmut 24-03-2013 
ESTRADA SEM CHÃO

A minha emoção
respira numa velocidade
aproximadamente de um pensamento,
ou quem sabe, até,
de um piscar de olhos.
Sei que sou imprudente
e desabrochadamente rápido,
nessa estrada sem chão.
Mas mesmo assim,
não tocarei momento algum nos freios.
E se mais a frente acabar:
o gás, o freio ou a até a pista;
e não houver outra saída,
tudo bem,
será o meu fim...

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 Por Edson Motta 

O santo subversivo 
O processo de reorganização nacional da Argentina começou num 24 de março de 1976, este foi o nome dado pelos comandantes militares que tomaram o poder do país, já que a maior parte da população o chamou de ditadura militar. Ao menos, os militares argentinos não chamaram a ditadura de revolução, como a chamam no Brasil. Algumas pessoas, no entanto, não conseguiriam dar nome ao que sofreram - às perseguições, às torturas, às cruéis e covardes execuções. Estivesse vivo, o padre Carlos de Dios Marias seria um desses. Carlos era franciscano, e sabemos que os franciscanos sempre cometem o pecado de defender os pobres. Já disse o bispo brasileiro Dom Hélder Câmara: "Quando dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando pergunto porque eles são pobres, chamam-me de comunista". Sabemos como as ditaduras da América Latina tratavam comunistas, ainda que suspeitos. Carlos foi sequestrado, junto com o sacerdote francês Gabriel Longueville, torturados, tiveram os olhos arrancados, e as mãos decepadas, antes da morte. Hoje, o novo Papa Francisco quer tornar Carlos um santo. Há quem deseje o contrário, que Carlos seja lembrado como um exemplo de homem que lutou por justiça e liberdade, que lutou contra a ditadura, contra a exploração dos pobres; mas como homem, nada acima e nada além disto.






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Por Kurt Helmut 17-03-2013


O LIMITE DO PONTO

A vida respira
e tudo se deteriora:
da visibilidade ao implícito,
do estático ao deslocamento.

Um coração on line
se expõe à flor da pele.
Baila, canta, despe-se e voa:
da simplicidade ao sentimento,
do olhar ao movimento,
da veracidade à percepção.

Viver é o desgaste do traço,
a certeza do risco,
o limite do ponto.

 


 
LANCHA DAS SETE
O meu pensamento
navega sobre as águas
que distanciam de forma natural
o Rio de Janeiro de Niterói,
e as minhas idéias
se abarrotam
ficando talvez salgadas demais;
porém a criatividade que possuo
será sempre a glicose
dos meus atos.



CLARIDADE 
Já subi tantas ruas e ladeiras,
entre casas, biroscas e barracos...
Desci por várias escadas, elevadores e rampas
de morros, edifícios e "shopping"...
Soltei pipas e passarinhos,
rodei pião e roletas...
Buli bola de gude,
chutei bola de pano...
  
Vi um circo pegar fogo,
sou minhoca da terra que respiro,
enquanto o tempo
branqueia a minha cabeça
e amadurece o meu pensamento...
Truck Tumleh