POLÍTICA

 
Alexandre Oliveira
38 anos

Ativista, colaborador da ANOTA - Agência de notícias Alternativas
alexandreoliveira@barretoonline.com   
http://barretoonlinepoliticaedepates.blogspot.com.br/                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                               




Por Alexandre Oliveira  21/06/2013

"O GIGANTE ACORDOU!"  (MAS E DAÍ?)
Porque acordar não significa necessariamente abrir os olhos....







"O GIGANTE ACORDOU!" Talvez seja a afirmação mais repetida nesses dias revoltos. Cheia de simbolismos, um misto de alegria e fúria.

Primeiro porque comemora o fim da inércia do "povo acomodado" , que tem "A força" para mudar seu destino mas mantinha-se em letargia, "deitado eternamente em berço (nada) esplêndido". Um olhar de fora, abstraído dizendo: "ele, o povo acordou!" 

Ao mesmo tempo, pelas aglomerações e disposição demonstrada nas ruas, o brado do gigante ganha outro significado, o Coletivo. algo como um " E agora, vai encarar?" , direto no Governo.

exaltada a interessante capacidade das palavras de ordem expressarem dois sentimentos, conflitantes em si, a realidade nos impõe a NECESSIDADE de planejar e executar tarefas, assim como fazemos ao acordar: lavar o rosto, escovar os dentes, ir ao trabalho, ao banco, médicos, etc..Mas, não.

O Debate de idéias não está posto. A união de oprimidos e explorados não está posto.Não objetivando a libertação. Mas querem unir todos ao controle do fascismo.
O sentido que vem prevalecendo, contraditoriamente, é o INDIVIDUAL. é o de quem vê de fora: todo mundo pode tudo, menos ser organizado. Assim, em sua micro-ditadura, esses indivíduos acreditam que estão impondo à grande massa, um sentimento de liberdade que nunca haviam provado até então.

 Os  que desde sempre saíram às ruas e não se surpreendem com a violenta repressão policial, são vistos como inimigos e devem ser calados. Daí cada um pode vociferar seus brados cheios de raiva e indignação, porém sem nenhum resquício de política que não seja de direita. 

E aí a Rede Globo, mesmo sendo rechaçada nas manifestação, dá diversas demonstrações de apoio ao movimento. 0/

Ironia do destino, os protestos que começaram exigindo um PADRÃO FIFA PARA OS TRANSPORTES PÚBLICOS, agora seguem o PADRÃO GLOBO DE MANIFESTAÇÃO: hino nacional, roupa branca e discurso anti-partido.

Minha ideia era propor que nos organizássemos para discutir e levantar reivindicações que pudéssemos levar para as manifestações. Como a questão da TARIFA ZERO, já que o movimento teve um pequena vitória na questão dos transportes.

Mas depois dos últimos acontecimentos aqui em Niterói e, principalmente no RJ...não tenho mais dúvidas: a Direita está vencendo de lavada! o movimento não tem ideia nenhuma..os atos se transformaram em micaretas reacionárias. O NÃO LEVANTEM AS BANDEIRAS são acompanhados de uma violência tamanha, que fica claro o caráter ideológico de quem rechaça a liberdade dos outros. privatizaram a rua! Talvez daqui há vinte anos, vão se orgulhar que estavam no ato dos "350 mil". quero ver se terão coragem de fazer autocritica (se é q terão essa percepção) de dizer que ajudaram a legitimar o espancamento/mutilações (e, em breve, assassinatos) de militantes de esquerda, além da instauração de uma ditadura militar.É isso: abaixe essa bandeira de liberdade que meu fascismo pede passagem....triste.

Bastar ler o editorial do jornal O Globo de 2 de abril de 1964 - logo após o golpe - e fazer as comparações com os dias que vivemos. E estamos num patamar propício a uma mudança de regime eu não sei. Mas que o caminho está sendo pavimentado às custas da indignação de MUITA gente honesta, eu tenho certeza.

Leia o texto e reflita. Se você se identificou, provavelmente, AINDA está sendo manipulado. LIBERTE-SE!! JÁ QUE QUER LUTAR, LUTE CONTRA O SISTEMA!


EDITORIAL DO GLOBO PUBLICADO LOGO DEPOIS DO GOLPE MILITAR EM 1964 .

"Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem.

Poderemos, desde hoje, encarar o futuro confiantemente, certos, enfim, de que todos os nossos problemas terão soluções, pois os negócios públicos não mais serão geridos com má-fé, demagogia e insensatez.

Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais.
A esses líderes civis devemos, igualmente, externar a gratidão de nosso povo. Mas, por isto que nacional, na mais ampla acepção da palavra, o movimento vitorioso não pertence a ninguém. É da Pátria, do Povo e do Regime. Não foi contra qualquer reivindicação popular, contra qualquer idéia que, enquadrada dentro dos princípios constitucionais, objetive o bem do povo e o progresso do País."

ABAIXO O FASCISMO! LIBERDADE DE EXPRESSÃO JÁ! ABRE O OLHO, GIGANTE!


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Por Alexandre Oliveira  10/05/2013

"Contrariando quem acredita que política e futebol não se misturam, recomendo um artigo do blog CONVERGÊNCIA que nos alerta para a necessidade de discutir SIM o futebol e, principalmente,a política para o esporte mais popular do País."

Um esporte para o capital: o empresariamento do futebol brasileiro e a Copa de 2014

 
Como parte integrante da vida nacional, o futebol foi atingido pelo redemoinho neoliberal de cunho privatista que, a partir da década de 1990, quase tudo sugou no Brasil ou, pelo menos, tentou sugar. Esperançosos em mercantilizar ainda mais o sentimento gratuito e passional de milhões de trabalhadores e jovens torcedores, formou-se no país um verdadeiro bloco social adepto de um projeto modernizante-conservador do futebol. Conformado por empresários de jogadores, empresas de marketing esportivo, fundos de investimentos, patrocinadores multinacionais, dirigentes esportivos, emissoras de televisão e políticos ligados à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), entre outros setores não menos comprometidos com a plena transformação do esporte em mercadoria, esse bloco social vem levando a cabo, com relativo êxito, um processo de empresariamento do futebol brasileiro.
Segundo os ideólogos desse novo bloco social, existiria até meados da década de 1990 (e, para alguns mais ortodoxos, existiria até os dias de hoje) uma contradição entre o potencial técnico-comercial do esporte bretão no país (qualidade técnica dos jogadores brasileiros, constantes “safras” de craques, clubes com torcidas imensas e apaixonadas etc.) e a estrutura político-administrativa do futebol brasileiro. Taxada de “amadora”, tal estrutura não estaria totalmente preparada para permitir, de forma ágil, a efetivação completa do processo de mercantilização do futebol que, nos países centrais (em especial na Europa), já se encontrava em estágio bastante avançado. Assim, no início da década de 2000, o espantoso êxodo de jovens craques para o exterior (que começara já em meados dos anos 90) era explicado pelos “modernizadores” do futebol como um simples problema de “gestão”, a saber, uma incompetência administrativa dos arcaicos mandatários da bola que não saberiam fazer bons contratos entre os clubes e os atletas (como se faltasse sabedoria capitalista aos nossos patrimonialistas dirigentes esportivos…). Nesse discurso ainda muito em voga na mídia esportiva, não havia espaço para críticas substantivas à Lei Pelé que, melhor sintonizando o futebol brasileiro na frequência da divisão internacional do trabalho esportivo, colocara de vez os clubes brasileiros no papel de exportadores em massa de “matérias-primas” (jogadores) para um mercado esportivo global cada vez mais diversificado, rapineiro e monopolista. A velha ladainha neoliberal, calcada em termos tecnicistas como “transparência”, “competência” e “responsabilidade financeira”, foi incorporada plenamente ao cenário futebolístico; jogadores da base ligados somente ao clube formador (sem empresários), dirigentes amadores (não remunerados) e torcedores sem poder aquisitivo passaram a ser vistos como elementos inconvenientes, óbices oriundos de um passado “romântico” que precisava ser urgentemente liquidado. Na qualidade de ramo econômico nacional, o futebol precisava se adaptar aos tempos de reestruturação econômica do capital. O tão propalado “esporte nacional” necessitava se tornar, fundamentalmente, um rentabilíssimo espaço de investimento para o capital, o que colocava na ordem do dia a transformação dos clubes em empresas/marcas e a dos torcedores em consumidores.[1]

Desde fins dos anos 1990, esse processo de mercantilização do futebol brasileiro avançou velozmente, e pôde ser notado em diversos âmbitos do universo futebolístico nacional. Vejamos isso rapidamente.

A já mencionada Lei Pelé, para além de enfraquecer materialmente os clubes brasileiros, fez a festa dos empresários e agentes de jogadores (os quais também empresariam e agenciam técnicos, convém lembrar). Como as mercadorias só se realizam quando postas no mercado, a rotatividade dos jogadores nos clubes atingiu um ritmo febril, deixando saudades nos torcedores de quando era possível guardar de memória a escalação de seus times. Sob o discurso ideológico do “fim da escravidão” dos jogadores em relação aos clubes, construiu-se uma situação de completa subordinação dos atletas a uma espécie de lumpem-empresariado da bola. Realizando transações comerciais pra lá de suspeitas (com parada obrigatória em ilhas fiscais) e mantendo “relações perigosas” com setores mafiosos do recém restaurado capitalismo do Leste Europeu, as empresas de marketing esportivo e certos fundos de investimentos passaram a adquirir os direitos federativos dos jogadores (ou porcentagens desses direitos) e apostar na valorização das promessas de craque (no melhor estilo do capital especulativo). A frenética compra e venda de jogadores em um circuito comercial que liga escolinhas de futebol dos mais remotos rincões do Brasil às mais longínquas repúblicas asiáticas da ex-União Soviética (passando, naturalmente, pela Europa central e ibérica) criou as incontáveis fortunas daqueles que são hoje os verdadeiros donos da bola no país. Importante chamar atenção para o fato de que, se para uma pequena “elite” de atletas profissionais a neoliberalização do futebol proporcionou ganhos astronômicos (em função dos contratos milionários que passaram a assinar livremente com clubes dos mais variados países), para a grande maioria dos jogadores brasileiros a situação vai de mal a pior. Segundo dados da própria CBF, 82% dos jogadores profissionais do país recebem até dois salários mínimos;[2] trabalhando em condições muitas vezes precárias, esses verdadeiros proletários da bola se encontram completamente subordinados aos clubes e agenciadores, e se veem impelidos a assinar contratos cada vez mais curtos e sem direitos. Quanto aos grandes clubes, vale lembrar que, cada vez mais economicamente dependentes do dinheiro dos patrocinadores e, sobretudo, das cotas de televisão, eles vêm perdendo gradativamente seu poder até mesmo em relação à organização dos campeonatos esportivos, hoje em dia programados de modo a melhor atender aos interesses televisivos e comerciais – a forte interferência da Rede Globo na montagem das tabelas dos torneios, no número de participantes destes e no horário (muitas vezes absurdo) dos jogos, entre outros aspectos, é perceptível para qualquer observador minimamente atento. A dependência dos clubes em face da Rede Globo, decorrente justamente dos adiantamentos de cotas de TV concedidos pela empresa, levou até mesmo ao absurdo de, em 2011, alguns grandes clubes recusarem ofertas financeiras superiores feitas por outra emissora interessada em adquirir os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro.

Também no que diz respeito ao papel a ser desempenhado pelos torcedores nesse futebol de feição cada vez mais empresarial, significativas mudanças de caráter antipopular vêm se verificando na última década, e são estas que, em nome dos preparativos para a próxima Copa do Mundo (2014), estão sendo apressadamente intensificadas pelo grande capital esportivo.

O projeto de empresariamento do futebol brasileiro é, em grande parte, inspirado nas conhecidas (e classistas) transformações processadas no futebol inglês entre fins da década de 1980 e início da de 1990. Sob a bandeira do combate à violência nos estádios – que encontrava respaldo social em função da tragédia de Hillsborough[3] –, diversas modificações de cunho elitista foram efetivadas pelos mandatários do esporte na ilha, os quais gozaram do apoio decisivo dos governos conservadores de Thatcher e Major, assim como do incentivo declarado da Fédération Internationale de Football Association (FIFA), interessada em acelerar o que talvez possamos denominar de uma contrarreforma futebolística à escala mundial.[4] Alguns dos efeitos mais visíveis desse aburguesamento do futebol inglês foram o afastamento dos trabalhadores dos estádios, em função do elevado aumento no preço dos ingressos, e o surgimento de uma nova concepção do que deveriam ser os próprios estádios de futebol, a partir de então entendidos como arenas multiuso.[5]

A ideia segundo a qual os estádios de futebol devem ser áreas comerciais, de convívio e eventos variados, chegou definitivamente ao Brasil desde a escolha do país para sediar a Copa de 2014. De acordo com esse modelo, o torcedor-consumidor, além de apenas comprar o ingresso para assistir à partida, pode ampliar significativamente os seus gastos com o estacionamento (uma obrigatoriedade nessa nova arquitetura dos estádios), lojas de grifes famosas, estabelecimentos multinacionais de gastronomia, museus esportivos, eventos culturais etc. Em outras palavras, múltiplos serviços capazes de prolongar o tempo de permanência e ampliar o consumo dos frequentadores no estádio, como se estes estivessem em um shopping-center com a família num ordinário fim de semana mercantilizado. Em nome desse conforto dos torcedores-consumidores, uma tradição do futebol brasileiro foi eliminada: a chamada Geral, o setor mais barato, onde os popularmente denominados geraldinos assistiam aos jogos em pé, porém mais próximos ao campo. No Maracanã reformado, por exemplo, o local da antiga Geral – a qual foi extinta há alguns anos – será preenchido por assentos especiais, que conformarão um setor nobre e, portanto, muito mais caro do que o original. Mais um estúdio do que um estádio, na reflexão do historiador Marcos Alvito, o interior da construção do Maracanã, com capacidade de público reduzida para 70 mil pessoas, será voltado para a televisão – que também explora o rentável mercado de pay per view – e não propriamente para o torcedor, a quem caberá aplaudir o espetáculo, sentado, como em um concerto de ópera.[6] O que está em jogo é também a cultura torcedora do país. Ao mesmo tempo em que a estrutura física dos estádios é alterada, o Senado aprovou, no ano passado, um projeto de lei que torna mais rigoroso o Estatuto do Torcedor. O texto proíbe xingamentos dentro dos estádios de futebol por parte dos torcedores, os quais estarão sujeitos a uma central técnica de informações com capacidade suficiente para monitorá-los policialescamente (tal qual um Big Brother).[7]

Vale assinalar ainda que não apenas as formas de lazer dos trabalhadores serão atingidas, mas também as suas conquistas históricas. O Projeto de Lei PLS 728/2011, de autoria dos senadores Ana Amélia (PP-RS), Marcelo Crivella (PRB-RJ) e Walter Pinheiro (PT-BA), pretende restringir o direito de greve no Brasil no período que antecede a Copa do Mundo e durante a sua realização. Ainda segundo a proposta, quem “provocar terror ou pânico generalizado” pode ser enquadrado como “terrorista”, com punições duras e penas altas. A chamada Lei Geral da Copa, um esdrúxulo diploma legal de exceção, vem sendo oportunamente alcunhada de “AI-5 da Copa” pelos críticos ao caráter dos megaeventos esportivos no país.[8]

Por fim, cabe perguntar: quem serão os felizardos que poderão assistir aos jogos da Copa do Mundo?  Segundo projeções da FIFA, que definirá o preço dos ingressos, pelo menos 85% destes serão destinados a torcedores comuns, ficando o restante disponibilizado para convidados, autoridades e imprensa. Os bilhetes terão quatro categorias, numeradas de 1 a 4, sendo a última a mais barata. Dos pouco mais de 3 milhões de ingressos da competição, pelo menos 300 mil terão que ser da categoria 4, de custo estimado em US$ 50.[9] Em termos de venda de ingressos, o filão mais lucrativo para os organizadores ficará por conta da comercialização dos pacotes. Um destes, que oferece camarotes (de 16 a 26 pessoas) para os 19 jogos que acontecerão em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte sairá por volta de US$ 2,3 milhões. Para assistir a todos os jogos de uma seleção participante, por exemplo, o torcedor terá que desembolsar US$ 30,9 mil. Já os endinheirados que desejarem exibir seu charme nada discreto em suntuosos camarotes nos jogos da seleção brasileira poderão adquirir pacotes VIPs, cujos valores variarão entre US$ 2.350 e US$ 1,75 milhão. No cômputo geral, as várias modalidades de pacotes VIPs representarão 12% dos total de ingressos, isto é, 415 mil unidades (ou seja, quantidade significativamente superior aos ingressos mais baratos, da categoria 4).[10]

Segundo alguns apologetas do empresariamento/aburguesamento do futebol brasileiro, o modelo esportivo implantado na Copa do Mundo deverá servir de exemplo para os campeonatos seguintes realizados no país, devendo ser quase que totalmente adotado por aqui após o término da competição internacional. Nesse sentido, não seria exagero dizer que, se depender da vontade dos atuais donos da bola no país, na próxima Copa do Mundo os trabalhadores e a juventude pobre serão despudoradamente jogados para escanteio, e o futebol brasileiro passará por um fundamental capítulo de seu processo de modernização conservadora.



[1] O empresário Edmundo Santos Silva, ex-presidente do Flamengo na virada do século, tornou-se anedótico por se referir aos torcedores do time carioca como seus “clientes”.

[2] http://extra.globo.com/esporte/triste-realidade-no-brasil-82-dos-jogadores-de-futebol-recebem-ate-dois-salarios-minimos-6168754.html

[3] Em abril de 1989, uma tragédia na partida entre o Liverpool e o Nothingan Forest comoveu o mundo com o seu saldo de 96 mortos e 766 feridos. Na época, as vítimas foram propositalmente associadas ao grupo de torcedores do Liverpool, que teria sido responsável pelo episódio. Essa manipulação grosseira tirou o foco das reais causas do incidente: a precariedade do estádio e a negligência da polícia.

[4] Como culminância desse processo, foi fundada em 1992 a poderosa Premier League, termo pronunciado com o mais alto requinte anglófilo pelos nossos locutores e comentaristas esportivos. A nova liga trouxe, a reboque, uma nova e neoliberal legislação econômica para o futebol, cujos efeitos são, entre outros, os atuais déficits dos clubes integrantes.

[5] Os interessados em uma análise crítica das transformações antipopulares ocorridas no futebol inglês no período em questão podem consultar o livro A rainha de chuteiras (um ano de futebol na Inglaterra), de autoria de Marcos Alvito, lançado em 2013.

[6] http://www.youtube.com/watch?v=rPVErT91bqQ.

[7] Numa votação rápida e sem discussão, a apresentação do Projeto de Lei que prevê modificações no Estatuto do Torcedor foi feita pelo então presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que, para aumentar o ridículo da situação, afirmou: “Esse projeto é do maior interesse do povo brasileiro”. http://www1.folha.uol.com.br/esporte/763629-senado-endurece-estatuto-do-torcedor-e-proibe-ate-xingamento-em-estadio.shtml.

[8] A Lei Geral da Copa revela a grande flexibilização das leis brasileiras, reivindicadas pela FIFA e aceitas pelo Governo Federal. Entre muitos outros pontos, o texto concede à FIFA o direito de definir áreas de restrição comercial em até 2 quilômetros em volta dos estádios, proibindo o comércio de fazer publicidade de concorrentes de patrocinadores no entorno dos mesmos; estipula tipos de crimes até 31 de dezembro de 2014 pela reprodução ou falsificação de símbolos da FIFA e divulgação de produtos relacionados à Copa, com pena de detenção de três meses a um ano,  mais multa.

[9] Os ingressos desta categoria (4) serão colocados à venda por meio de sorteios em que somente brasileiros poderão concorrer. Estudantes, pessoas com 60 anos ou mais e beneficiários de programas sociais do governo federal terão prioridade de compra. De acordo com a atual versão do projeto da Lei Geral da Copa, esses setores sociais gozarão de 50% de desconto no valor daqueles ingressos (que, assim poderá ser adquirido a US$ 25). Extraoficialmente, a FIFA já se demonstrou insatisfeita com este modelo, embora seja relativamente pequeno o percentual de ingressos destinados à categoria 4.




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Por Alexandre Oliveira     22/03/2013 
Quando o Severino consegue fugir da seca para morrer num desabamento



“E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).  Morte e Vida Severina, livro de João Cabral de Melo Neto, escrito entre 1954 e 1955 e publicado em 1955.
O nome do livro é uma alusão ao sofrimento enfrentado pela personagem. Sua condição de miséria em comum com outros Severinos, compartilhando a mesma vida (e morte) Severina. Veja o vídeo no final da matéria, ou leia o poema. Vale a pena.
Lembrei  desta obra ao ver o título da matéria no Jornal Extra sobre um “Severino” ,  Jamil Luminato, que se destacou no auxílio às vitimas das chuvas de 1981 (!!).
O “herói”, como é chamado pela matéria, não teve muita sorte dessa vez. As chuvas fortes em Petrópolis levaram parte de sua Família: Jamil sepultou a filha Drucilane Alves Luminato, de 27 anos, e os netos João Vítor, de 2, e Rodrigo Oliveira Valle, de 4, no Cemitério de Petrópolis.

Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/rio/heroi-no-resgate-de-vitimas-das-chuvas-em-1981-perde-familia-em-deslizamento-no-mesmo-lugar-em-petropolis-7910278.html#ixzz2OEdu6c9M
Todas as promessas de moradia e “providências” dos governos se repetem vergonhosamente.
E as esperanças desabam, assim como dois prédios que foram construídos para os desabrigados estão desmoronando.
“Nunca, na história desse país” as vítimas de catástrofes como essa foram tratadas com um mínimo de respeito e dignidade. Agora não é diferente.
As grandes construtoras estão enchendo seus cofres com dinheiro público em financiamentos do BNDES (Dinheiro nosso!) e com as obras para Copa do Mundo e Olímpiadas.
Seria muito justo que o Governo exigisse, como contrapartida, a construção de casas populares visando a retirada das pessoas de áreas de risco. Mas, não... Nenhum deles (Dilma, Cabral, Paes, Jorge Roberto ou, agora, Rodrigo Neves em Niterói) seria capaz de incomodar a farra de seus financiadores de campanha...
Tragédias ocorrerão. Nosso povo continuará morrendo.
Jamil tem 53 anos. Em 1981, era um jovem de 21 anos. Qual é a “parte que lhe cabe nesse latifúndio?”
Quais serão as próximas cidades?? Façam suas apostas!
Versão animada de “Morte e Vida Severina”


Versão que me arrebatou ainda criança








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Por Alexandre Oliveira     26/06/2012

RIO +20 E O CAPITALISMO PINTADO DE VERDE





Vinte anos após uma das maiores conferências ambientais do mundo, a ECO-92, os resultados não poderiam ser piores para o meio ambiente. A cada dia, 25 espécies desaparecem da Terra. Até o fim deste século, a temperatura média na Terra deve subir entre 1,8º e 4ºC. Seguem o aquecimento global e o derretimento das geleiras. Os governos tentam jogar a culpa dos problemas ambientais na população, quando apenas 4% da emissão de gases responsáveis pelo efeito estufa estão ligados ao desperdício ou lixo individuais. Os outros 96% estão relacionados, principalmente, com a grande produção industrial.
Nos últimos anos, o discurso da “sustentabilidade” ganhou força e foi até mesmo apropriado pelos grandes capitalistas. É comum ver propagandas da TV de empresas automotivas, mineradoras e até mesmo petroleiras venderem uma suposta imagem de “sustentabilidade ecológica”. Um caso recente foi o fim da obrigatoriedade dos supermercados de São Paulo em oferecer sacolinhas plásticas, o que representou numa diminuição dos gastos dos empresários do setor (a tal “economia verde”). Por outro lado, a coleta de lixo reciclado na cidade representa apenas 1% da coleta total de resíduos. 

Também é comum ver supostos “especialistas” defenderem “mudanças nos hábitos de consumo”, a “adoção de pequenos gestos”, entre outras receitas milagrosas que buscam responsabilizar o individuo pela devastação do “nosso planeta”. Há aqueles que chegam a defender um controle maior da expansão populacional, pois o crescimento demográfico entraria em conflito com os recursos naturais que são finitos. 

Embora tenham origens bem diferentes, todas essas opiniões têm um ponto em comum: deixam de fazer propositalmente a crítica devida à lógica mercantil do sistema capitalista. Assim, transformam as vítimas dos impactos ambientais em vilões, em culpados, inocentando os verdadeiros responsáveis.
Nós, trabalhadores, somos vitimas dessa situação. Sofremos as consequências do desmatamento e da contaminação de rios e mares; ingerimos agrotóxicos e peixes contaminados. Por sua vez, os mais pobres são os mais expostos a enchentes e deslizamentos. Os reais responsáveis pelo dano ambiental são as grandes corporações, bancos, latifúndios e governos - que financiam e lucram com a degradação. Enquanto não atacarmos o problema em sua raiz, seguiremos rumo à barbárie.

A Rio+20, como todas as conferências ambientais organizadas pela ONU, foi um verdadeiro fracasso. Os governos são financiados em suas milionárias campanhas eleitorais pelas grandes empresas poluidoras e, depois, atuam na defesa dos lucros dessas mesmas empresas. Uma conferência realizada pela ONU, que é formada por esses governos, não pode solucionar os problemas ambientais. Barack Obama (EUA) e Angela Merkel (Alemanha) sequer participaram do evento. 

Nesta ultima quarta-feira, 20 de junho, o Rio assistiu à maior manifestação de rua dos últimos anos, quando um mar de gente ocupou a Avenida Rio Branco, no centro da cidade. A Marcha dos Povos reuniu pelo menos 25 mil manifestantes.
Enquanto as últimas expectativas em torno à Rio+20 se dissolviam, a marcha foi um símbolo da polarização conquistada pela Cúpula dos Povos nas ruas cariocas.

Com a presença de diversas centrais sindicais, partidos políticos, sindicatos, entidades da causa ambiental, ONGs, organizações indígenas e ativistas de vários países, o tamanho da marcha impactou até mesmo seus participantes. A animação tomou conta dos manifestantes e não poderia ser diferente.

Igualmente, não faltou irreverência para expressar a luta pela preservação ambiental. Cartazes e faixas, fantasias, maquiagem e bonecos gigantes deram o colorido à manifestação. Um dos maiores retrocessos ecológicos do Brasil no período de governos do PT, o Código Florestal, foi amplamente denunciado na manifestação. Segundo cartazes distribuídos no ato, “o jogo ainda não acabou”.

Em uníssono, a marcha foi uma crítica contundente ao discurso do “capitalismo verde” proposto pela Rio+20. O fracasso da reunião de cúpula impulsionou a denúncia da hipocrisia dos governos de todo o mundo.